Temporada 2 · Capítulo 9
O EXÉRCITO INFINITO

No Reino de Gelo, a neve havia cessado. Tudo parecia calmo… calmo até demais. Dentro do castelo, Veylar e Ded procuravam por Boreal, enquanto a Fada Polar voava em direção às montanhas em busca de Morgot. Mas, na caverna próxima ao castelo, Boreal já estava lá, pronta. Ela havia absorvido completamente o poder do Cristal de Gelo. Sabia que, sem ele, não conseguiria manter o portal aberto por muito tempo sozinha. Não havia compaixão em seu coração, nem mesmo pelo reino que um dia a acolheu. Seu único desejo agora era a destruição total do Reino de Gelo. Boreal exalava uma energia sombria e opressiva. Ela abriria o portal que traria o Ceifeiro e seu exército de mortos, pegando todos de surpresa. Antes de agir, ela se vira pela última vez em direção ao castelo. Por um breve instante, memórias surgem em sua mente, momentos bons… raros… mas reais. Ainda assim, nunca se sentiu parte daquele lugar. Seu olhar endurece. Ela franze a testa e concentra toda a sua energia mágica. Nada iria pará-la. E agora… a morte chegaria ao Reino de Gelo.

Boreal pronuncia palavras mágicas, e um portal se abre, pulsando com uma energia densa e ameaçadora. Ele conectava diretamente o Reino Doce à caverna no Reino de Gelo. Do interior do portal, o Ceifeiro emerge montado em seu cavalo, segurando sua foice e exibindo um sorriso frio. Ao seu lado, voando, Hayblood também atravessa. Logo atrás deles, um exército colossal de mortos-vivos aguardava silenciosamente por comando. O Ceifeiro observa o castelo ao fundo. Boreal, ao ver seu mestre, curva-se em respeito. — Você cumpriu o que precisava ser feito, minha serva! — diz o Ceifeiro. — Hoje, este reino cairá. E, após derrotarmos seus governantes… você assumirá como rainha deste lugar. Hayblood sorri: — Você conseguiu mesmo, hein… parabéns. Boreal responde, firme: — Meu senhor, chegou a hora. Matem todos. Depois, nos tornaremos ainda mais fortes… e poderemos dominar Arcânia por inteira. Meu único desejo é destruir este lugar… e então lutar ao seu lado nos próximos passos. O Ceifeiro a encara, satisfeito: — Melhor do que eu esperava. Seu poder será extremamente útil. Vamos concretizar, de uma vez por todas, a aniquilação deste reino. — Mantenha o portal aberto. Quero meu exército marchando sem parar. Boreal sorri levemente: — Certo. Morgot está nas montanhas… e os outros estão no castelo, meu senhor. — A vitória já é nossa. O Ceifeiro então segue em direção à saída da caverna. — Hayblood, vá na frente. Destrua tudo o que encontrar. Ela dispara pelos céus. Enquanto isso, um exército gigantesco começa a emergir do portal, correndo em direção ao Reino de Gelo… destruindo tudo à sua frente.

Os mortos avançavam como uma praga. Matavam tudo o que encontravam, lobos, ursos, alces. Criaturas que habitavam o reino eram dilaceradas sem piedade. Estátuas eram derrubadas, fontes destruídas. O objetivo era simples: caos absoluto. Eles se espalhavam rapidamente, guiados apenas pela vontade do Ceifeiro. O Alce Sagrado é abatido brutalmente, soterrado por corpos que o mordem até sua morte. O Urso Protetor do Reino tenta resistir, mas sucumbe diante da quantidade esmagadora de inimigos. De longe, o Ceifeiro observa tudo sendo destruído… tudo sendo consumido. Em sua mente, seu exército era infinito. E, de certa forma, era. Sua habilidade fazia os mortos se erguerem novamente sem consciência, sem magia, apenas corpos obedientes à sua vontade.

Hayblood voava em direção ao castelo, analisando o campo de batalha do alto. Por um instante, ela pensa: — Esse reino é realmente lindo visto de cima… mas esse frio… até me enfraquece. Vou encontrar esses reis logo e acabar com isso. No Reino Doce pelo menos não tinha esse gelo que quase congela minhas asas. Ao se aproximar do castelo, ela avista pequenos gnomos de gelo escondidos, sem hesitar, destrói a parede com força brutal, agarra as criaturas e as elimina com frieza… sorrindo. Ela então invade o castelo, em busca de seus alvos. Soldados de gelo surgem para defender o reino, mas são rapidamente dominados. Os mortos-vivos se acumulavam sobre eles, esmagando-os pela quantidade. Eram como formigas… imparáveis.

No pátio, alguns soldados de gelo avançam contra o Ceifeiro. Mas, com um único golpe de sua foice, ele os destrói sem sequer desmontar de seu cavalo. Quanto mais mortos se juntavam ao seu exército… mais forte ele se tornava. Ele pensa: — Já fazia tempo… que eu não sentia o prazer de dominar os fracos. Em breve, reis e rainhas temerão meu nome. — Duas conquistas como essas… não são para qualquer um. — E eu sei que Eroim está observando… e é bom que esteja. Ele passeia pelos jardins de gelo. O caos… era música para seus ouvidos. Enquanto isso, na caverna, Boreal mantinha o portal com facilidade. O fluxo de mortos-vivos não cessava nem por um instante.

Na saída lateral do castelo, Ded se depara com o caos. Ao olhar pela janela, vê o pátio tomado por zumbis. Ele sente… a energia. Era Boreal. Ele fica paralisado por alguns instantes, tomado pelo horror. — Não acredito… ela fez isso… Ele aperta o cajado. — Esses mortos… só podem ser daquele reino. Preciso impedir isso agora! — Boreal… você é um demônio. — Chegou a hora de acabar com isso! Ele sai pelo portal lateral. Mortos avançam em sua direção, mas Ded libera um raio mágico devastador, eliminando vários de uma só vez. Seu corpo transbordava energia. Ao avançar, ele vê o reino em ruínas. E sente algo pior… O Ceifeiro já estava ali.

Dentro do castelo, Veylar caminhava apressada rumo à sala de julgamento. Mas, ao passar por uma janela… ela para. Seu corpo congela. Ela se aproxima lentamente… e vê. O reino estava tomado. Destruição por todos os lados. Os sons… estavam cada vez mais próximos. Ela não conseguia reagir. Não conseguia entender. Então… o medo a domina. Lágrimas escorrem enquanto ela vê tudo sendo destruído. Desesperada, ela corre pelos corredores. — Não… não pode ser… como isso está acontecendo? — Boreal… foi você? — Eu preciso fazer alguma coisa!

Os muros do reino começavam a ruir. O grande portão havia sido destruído. Soldados de gelo surgiam através da magia de Morgot, mas eram rapidamente abatidos. Era um ataque devastador. E o rei… ainda estava distante. Nas montanhas, a Fada Polar ouvia os sons da destruição. Mas não podia parar. Precisava encontrar Morgot.

Ao longe, ela finalmente o avista. Morgot descia após reforçar as defesas do outro lado das montanhas. Ele sempre protegia o reino… criando muralhas e soldados com sua própria magia. Mas nunca imaginou… uma invasão interna. A Fada Polar chega ofegante e conta tudo. Ele hesita. Mas então…Um estrondo ecoa. Morgot olha para o castelo e vê fumaça e estruição. — Fique aqui! — ele diz. — Algo está errado… sinto meus soldados sendo destruídos… o reino está tremendo. Seu corpo começa a emitir uma energia imensa. Seu poder… despertava.

Do chão gelado, novos soldados surgem. Mais fortes. Mais rápidos. Criados pela energia de Morgot, mesmo à distância. Eles avançam, cortando os mortos com lâminas de gelo. Corpos se despedaçam. Mas… não era suficiente. Eram muitos.

Mesmo com reforços poderosos, o número de mortos era esmagador. Eles invadem o castelo. Se fosse uma batalha justa… o Reino de Gelo teria vantagem. Mas aquilo… era um massacre surpresa. E Morgot ainda não havia chegado. O fim parecia próximo. Dentro do castelo, Veylar seguia sozinha… cercada.

Ded continuava lutando. Mas percebe que não conseguiria conter todos. Eles vinham da caverna. Ele precisava ir até lá. Antes de voar, lança um feitiço em área, congelando inúmeros mortos ao redor. Era poderoso… mas drenava suas forças rapidamente. Ele então voa em direção à caverna. Durante o trajeto, vê o reino sendo destruído. Seus olhos se enchem de lágrimas. — Por quê, Boreal…?

Ao chegar à entrada da caverna, percebe que era impossível pousar. Mortos saíam sem parar. Ele dispara um raio mágico, abrindo espaço, e pousa destruindo outros ao redor. Sem outra alternativa… Ele entoa palavras mágicas. E congela a entrada da caverna. O fluxo de mortos é interrompido. Ded permanece ali… lutando. Guardando a entrada. Esperando… que ainda haja uma chance de salvar o Reino de Gelo.