Temporada 2 · Capítulo 10

A FEITICEIRA E O GUERREIRO DOURADO

Na floresta próxima ao Reino Mágico, Faramir e seus dois magos estavam frente a frente com Zafir, Zafiel e Belchior. Porém, eles não imaginavam que encontrariam moradores do Reino Mágico naquele lugar. Faramir encarou o grupo e sorriu. — Então realmente será desta forma. Erguendo sua espada, apontou-a para todos ali presentes. Nawari tomou a frente e virou-se para os três jovens atrás dela. — Vão! Nós cuidaremos deles! No estado em que estão, só irão nos atrapalhar! Os três se entreolharam sem entender. — Corram logo! — gritou Jasmine. Na mente de Zafiel surgiam inúmeras dúvidas. Por que aquelas pessoas estavam dispostas a ajudá-los? Ainda assim, ela sabia que estavam exaustos e seriam facilmente capturados por Faramir. Concordando com a cabeça, segurou as mãos de Zafir e Belchior. — Vamos! Os três partiram floresta adentro. Nawari então ergueu o cajado. — Só passarão por mim se forem capazes! Ela sorriu para Faramir. — Vamos, guerreiro dourado. Mostre-me tudo o que essas crias de Eroim sabem fazer! Logo depois virou-se para Jasmine e Giciel. — Fiquem afastados! Não quero vocês se machucando! Os dois obedeceram, escondendo-se atrás das árvores.

Mais à frente, os três corriam sem parar. Não podiam ser capturados. Precisavam sobreviver. Belchior, ainda ofegante, perguntou: — Por que eles nos ajudaram? Eu não entendo. — Aquela senhora parecia nos conhecer de muito antes — respondeu Zafir. — Talvez tenha alguma ligação com o senhor Eroim. Não faço ideia. Zafiel refletiu por alguns instantes. — Eu me lembro vagamente dela. Acho que servia ao exército do pai de Eroim. Já a vi algumas vezes pelo reino... mas não sei por que arriscaria a própria vida por nossa causa. Ela apertou o passo. — Precisamos continuar. Serei eternamente grata a eles, mas agora devemos encontrar um lugar seguro para descansar e recuperar nossas forças. Belchior e Zafir concordaram. Exaustos, feridos e sem respostas, continuaram correndo. Só sabiam de uma coisa: Precisavam chegar o mais longe possível dali.

Enquanto isso, Nawari encarava Faramir e seus magos. — Então Eroim está criando usuários de magia maligna... Quero ver se são realmente tão poderosos quanto dizem. Faramir apenas sorriu. Com um simples olhar, ordenou o ataque. Instantaneamente, os dois magos lançaram feitiços de fogo e relâmpago. Nawari ergueu seu cajado e ativou uma antiga magia rúnica, algo que apenas feiticeiros extremamente experientes eram capazes de utilizar. O escudo surgiu. As explosões ecoaram pela floresta. Mesmo protegida, Nawari sentiu o peso do impacto. Se tivesse usado uma barreira comum, ela teria sido destruída imediatamente. — Estou impressionada... — disse ela. — Então é assim. Vocês utilizam magia maligna apenas para amplificar feitiços convencionais. Ela pronunciou palavras antigas. O solo abaixo dos dois magos começou a afundar junto com seus cavalos. — Isso vai ser divertido. Os dois saltaram antes de serem engolidos pela terra. Mas, no instante em que cruzaram o olhar com Nawari, seus corpos congelaram. Paralisados. Faramir percebeu o que havia acontecido. Sem hesitar, avançou com espada e escudo em mãos.

Faramir iniciou uma sequência brutal de golpes. Mas Nawari bloqueava cada ataque com facilidade. Aquilo o surpreendeu. Jamais imaginou que uma feiticeira dominasse combate físico daquela maneira. — Isso me impressiona — debochou ele. — Uma velha feiticeira lutando assim chega a ser engraçado. Nawari abriu um sorriso. — Sabe o que é engraçado? Ela desviou de mais um golpe. — O dia em que Eroim cair... e você cair junto com ele. Seu sorriso aumentou. — Não será hoje. Mas está cada vez mais próximo. Ela gargalhou. Faramir cerrou os dentes e avançou com ainda mais violência. Nawari girava o cajado como se fosse uma espada, bloqueando e contra-atacando sem recuar.

Faramir concentrou sua energia. Suas armas começaram a brilhar intensamente. Nawari percebeu imediatamente. Aquelas armas haviam sido encantadas por Eroim. E eram perigosas. Antes que ele liberasse todo o seu poder, ela utilizou novamente sua magia de paralisia. Faramir congelou. Incapaz de mover sequer um dedo. Ao longe, Jasmine e Giciel observavam admirados. — Ela é incrível... — sussurrou Jasmine. Na mente de Faramir, apenas ódio. "Maldita... Não consigo me mover." "Meus magos ainda estão paralisados." "Preciso encontrar uma saída."

Nawari aproximou-se lentamente. Encostando o cajado em Faramir, começou a drenar sua energia mágica. O poder do guerreiro era absorvido pouco a pouco. Mas então algo inesperado aconteceu. As armas encantadas reagiram. Uma poderosa onda de energia surgiu delas. Nawari foi obrigada a interromper a absorção. A magia das armas envolveu Faramir e rompeu completamente a paralisia. Logo depois, o mesmo aconteceu com os dois magos. Ao perceber o que havia acontecido, Nawari lançou um raio mágico. Mas os dois magos saltaram à frente e ergueram um escudo, protegendo Faramir. A feiticeira estreitou os olhos. "Baixei minha guarda..." "Nunca imaginei que ele pudesse manipular o poder das próprias armas dessa forma." "São mais perigosos do que pensei." Faramir recuperou a postura. — Achou mesmo que seria tão fácil? — Eu os subestimei — respondeu Nawari. — Isso não acontecerá novamente.

Nawari ergueu o cajado. A terra começou a tremer. Dois gigantescos golens de pedra emergiram do solo. Seu nascimento fez a floresta estremecer. Faramir observou aquelas criaturas colossais. — Admito que parecem assustadores. Ele sorriu. — Mas ainda são apenas pedras. Atrás das árvores, Jasmine observava maravilhada. — Um dia quero ser capaz de fazer algo assim. Giciel manteve o olhar preocupado. — Esses homens são perigosos. A senhora Nawari não pode cometer nenhum erro. Os dois permaneceram observando em silêncio.

— Chega de conversa! — gritou Nawari. — Acabem com eles! Os golens avançaram. Cada passo fazia o chão tremer. Faramir tentou enfrentá-los diretamente. Sua espada atingiu um dos gigantes. Quase nenhum efeito. No instante seguinte, recebeu um soco colossal. Foi arremessado vários metros para trás. Os magos lançaram esferas de energia. Pouco resultado. Percebendo o perigo, recuaram. — Seus inúteis! — gritou Faramir ao se levantar. — Façam alguma coisa ou eu mesmo arrancarei suas cabeças!

Os dois magos trocaram olhares. Então tiveram uma ideia. Pronunciaram um encantamento em conjunto. A terra começou a afundar. Em poucos segundos, os golens estavam presos em uma espécie de areia movediça. Nawari arregalou os olhos. — Interessante... Os gigantes afundaram até o peito. — Muito bem! — gritou Faramir. — Agora acabaremos com isso! Suas armas voltaram a brilhar. Ele disparou em direção aos golens. Nawari lançou inúmeras esferas de energia para detê-lo. Nenhuma o atingiu.

Com um poderoso golpe, Faramir destruiu o primeiro golem. Depois o segundo. Sua espada exalava uma força sobrenatural. Os gigantes se despedaçaram. Ele então apontou para a árvore onde Jasmine e Giciel estavam escondidos. — Matem os dois. Eu cuidarei da velha. Nawari sentiu o coração apertar. Ela precisava protegê-los. Mas naquele mesmo instante, Faramir avançou novamente. E ela foi obrigada a enfrentá-lo.

Atrás das árvores, Jasmine e Giciel recuaram. Os dois magos apareceram diante deles. Sem perder tempo, Jasmine disparou um poderoso raio. O ataque destruiu diversas árvores. Mas os inimigos já haviam desviado. Agora voavam acima deles. — Droga! Eles são rápidos! — disse Giciel. Jasmine criou uma esfera gigantesca de energia e a lançou. Os magos bloquearam facilmente. — Eles são fortes... Muito fortes. Ela olhou para o irmão. — Fique perto de mim.

Enquanto isso, Nawari continuava pressionando Faramir. Magia, cajado, golpes. Nenhum dos dois cedia. — Sua força é impressionante para uma velha — provocou Faramir. — Mas jamais superará um guerreiro em combate. Nawari sorriu. — Eu servi no exército do antigo rei. Seu olhar endureceu. — Já lutei com espadas muito antes de você nascer. Ela apontou o cajado para ele. — Vejo que Eroim precisou compensar sua fraqueza dando-lhe mais poder. — Eu teria vergonha disso. Tomado pela raiva, Faramir avançou novamente.

O ódio dele crescia. Sua espada e seu escudo brilhavam cada vez mais. Os golpes começaram a rachar o cajado de Nawari. Ela precisou recorrer às runas defensivas para impedir que a arma fosse destruída. Era uma batalha brutal. Força contra sabedoria. Guerreiro contra feiticeira. Mas a preocupação com Jasmine e Giciel consumia seus pensamentos. E esse pequeno descuido custou caro. Faramir a atingiu com o escudo. Nawari caiu. Ele ergueu a espada e desceu o golpe final. A lâmina atravessou seu corpo. Mas ela desapareceu como uma ilusão.

Faramir sentiu uma presença atrás de si. Quando se virou, era tarde demais. Nawari já estava com a mão apontada para seu peito. Um raio negro disparou. A magia maligna o atingiu em cheio. Faramir foi lançado para longe. Caído no chão, começou a tossir sangue. — Então você usa magia maligna... — disse ele. — Que interessante. — A diferença é que eu sei utilizá-la. Nawari aproximou-se. — Essa magia corrói seu corpo por dentro. Sua derrota agora é apenas uma questão de tempo. Faramir sorriu mesmo ferido. — Então preciso acelerar a sua morte. O vento começou a soprar pela floresta. As árvores permaneciam imóveis. Como se até a própria natureza observasse aquele confronto.

Próximo dali, Jasmine e Giciel continuavam lutando. Mas a diferença de poder era evidente. Giciel concentrava-se apenas em proteger. Jasmine atacava sem parar. Nenhum golpe funcionava. Então um dos magos falou com uma voz assustadora. — Chega de brincadeiras. — Vamos encerrar isso agora. Os dois ergueram as mãos. Gigantescos raios de magia maligna surgiram. Giciel criou um escudo protetor. A barreira tremeu violentamente. — Irmã! Eu não vou aguentar por muito tempo! Sem hesitar, Jasmine compartilhou sua própria energia com ele. O escudo se fortaleceu. Mas por quanto tempo conseguiriam resistir? E, enquanto a batalha se tornava cada vez mais desesperadora, uma única pergunta permanecia no ar: Será que Nawari conseguiria vencer Faramir antes que seus discípulos fossem derrotados?