Temporada 2 · Capítulo 11
ENTRE A VIDA E A MORTE

Faramir, mesmo gravemente ferido após ser atingido pela magia maligna de Nawari, voltou a ficar de pé. Suas armas brilhavam ainda mais intensamente. Seu coração transbordava ódio. Até aquele dia, jamais havia falhado em uma missão. E não seria agora. Ao vê-lo ainda disposto a lutar, Nawari ergueu a mão e concentrou uma quantidade absurda de energia mágica. Uma gigantesca esfera destrutiva surgiu diante dela. Sem hesitar, lançou-a contra Faramir. A magia avançou rasgando a floresta, deixando um enorme rastro de destruição pelo chão. Árvores tombavam. Pedras eram reduzidas a pó. Quando a esfera alcançou Faramir, ele ergueu o escudo. O impacto foi devastador. Suas pernas afundaram no solo. Cada músculo do seu corpo gritava de dor enquanto tentava manter o escudo levantado. A esfera não conseguiu atravessar a proteção. Então explodiu. Uma onda de choque percorreu toda a floresta. Nawari observou em silêncio. — Essas armas... Ela estreitou os olhos. — Eroim fez um excelente trabalho, não posso negar. Seu olhar ficou sério. — Preciso acabar logo com isso. — Vou usar tudo o que tenho. Faramir cuspiu sangue no chão. Mesmo assim, não perdeu o sorriso arrogante. Estava pronto para continuar lutando.

Nawari não lhe deu tempo. Um raio mágico mortal disparou em sua direção. Faramir desviou por pouco. O feitiço atravessou a floresta, destruindo tudo em seu caminho. A explosão lançou o guerreiro contra várias árvores. Ele mal se levantou quando outro raio veio em sua direção. E depois outro. E mais outro. Faramir era obrigado a se esquivar constantemente. — Isso está ficando difícil... — pensou. — Se eu não matá-la agora, serei eu quem morrerá. Ele apertou os dentes. — Não posso falhar. — O senhor Eroim confia em mim. Então gritou: — Vamos, sua velha! É só isso que você tem? Nawari respondeu apenas com mais feitiços. A cada explosão, a floresta era transformada em um campo de guerra.

Percebendo que Faramir utilizava muito bem o ambiente para sobreviver, Nawari decidiu mudar de estratégia. Ela ergueu o cajado. — Legião de Pedra! A terra começou a estremecer violentamente. O chão se abriu. Dezenas de enormes mãos de pedra surgiram do solo, destruindo tudo ao redor. Árvores eram arrancadas. Rochas se despedaçavam. A floresta parecia estar sendo devorada. As mãos gigantes perseguiam Faramir por todos os lados. As que não conseguia evitar, ele destruía usando sua espada encantada. Mesmo assim, estava impressionado. Aquele poder era monstruoso. Mas havia algo ainda pior. Atrás de Nawari, uma nova magia estava se formando. Algo muito mais devastador. E Faramir percebeu isso. Precisava alcançá-la antes que fosse tarde.

Nawari observava. As mãos de pedra estavam atrasando Faramir, mas não seriam suficientes. Era hora do próximo feitiço. Atrás dela, um gigantesco tornado começou a tomar forma. O céu escureceu. O vento rugiu. A floresta inteira tremia. Então ela apontou o cajado. O tornado avançou. Faramir arregalou os olhos. Se fosse atingido, morreria. Sem dúvidas. Ele começou a correr. Por onde o tornado passava, nada permanecia de pé. — Droga! Como imaginei! Faramir então pronunciou palavras proibidas. — Umbra Nex Dominus! Instantaneamente, a marca amaldiçoada dos dois magos respondeu ao chamado. A ordem era absoluta. Irresistível. — VENHAM ATÉ MIM AGORA!

Em uma fração de segundo, os dois magos surgiram atrás dele. Juntos, ergueram um gigantesco campo de força. O tornado colidiu contra a barreira. O impacto foi ensurdecedor. Mas a defesa resistiu. Nawari fechou os punhos. Seu poderoso feitiço havia sido contido. Ela olhou ao longe. Tentava enxergar Jasmine e Giciel. Mas não os encontrou. Faramir gargalhou. — Então não parece tão poderosa agora! — Seu tornado é impressionante, mas enquanto eu tiver meus magos, nada poderá me atingir! Tomada pela raiva, Nawari fez o tornado avançar novamente. A barreira dos magos estremeceu. Mas continuou firme. Ela cerrou os dentes. — Esperei tempo demais. — Estou dando oportunidades para ele. Seu coração apertou. — Jasmine... — Giciel... — Espero que estejam bem. Enquanto isso, os dois irmãos sentiam alívio ao perceberem o desaparecimento dos magos. — Vamos! — disse Jasmine. — Se eles voltaram para Faramir, precisamos ajudar a senhora Nawari. Os dois partiram imediatamente.

Os magos então uniram seus poderes. Um enorme portal sombrio surgiu diante deles. Um buraco negro mágico. Pouco a pouco, ele começou a absorver o tornado, as mãos de pedra e toda a energia criada por Nawari. Faramir observava sorrindo. A feiticeira percebeu. A batalha precisava terminar Agora. Ela havia subestimado seus inimigos. Não cometeria esse erro novamente. Sem avisar, disparou floresta adentro. Faramir e os magos partiram atrás dela. — Acabem com ela! — ordenou Faramir. — Chega de brincadeiras! — Quanto mais tempo perdemos aqui, mais longe os fugitivos ficam! — Matem essa feiticeira!

Ao entrarem mais profundamente na floresta, encontraram algo inesperado. Um gigantesco colosso de pedra e raízes. Sobre seu ombro estava Nawari. Mas desta vez era diferente. Muito diferente. A criatura exalava magia maligna. Nawari havia fundido sua própria energia à magia proibida. Algo extremamente perigoso. Inclusive para ela mesma. Faramir observou. — Ela vai usar isso de novo? Um dos magos respondeu: — Não. — Isso é muito pior.

Faramir correu sem hesitar. Suas armas brilhavam como nunca. Mas quando se aproximou... O gigante atacou. Um soco colossal desceu dos céus. Faramir só sobreviveu porque os magos criaram uma barreira no último instante. — Senhor! Não avance assim! — Esse poder é diferente! Os magos se separaram. Faramir tentou atingir a criatura. Foi lançado para longe. Um dos magos tentou atacá-la. Foi agarrado e arremessado contra o próprio comandante. Lá do alto, Nawari observava tudo. Como se enxergasse através dos olhos do colosso. Ela estava pronta para encerrar aquela batalha.

O gigante soltou um rugido ensurdecedor. A floresta inteira estremeceu. Um dos magos tentou fugir. Mas Nawari o paralisou com um olhar. Ele congelou. Sem poder reagir. A mão colossal do gigante o agarrou. O grito ecoou pela floresta. E então... Silêncio. O corpo foi esmagado. Faramir e o último mago assistiram à cena horrorizados.

— Eu serei a isca! — gritou Faramir. — Acabe com essa criatura! O mago assentiu. Ele já sabia exatamente o que fazer. O gigante avançou. Faramir correu. A criatura o perseguiu. Era exatamente o que ele queria. Atrás dela, o mago apareceu. Concentrando toda sua energia restante. — Agora! Um raio maligno atravessou o gigante. A magia explodiu por dentro da criatura. O colosso começou a rachar. Nawari saltou antes do impacto. O gigante se despedaçou. Faramir sorriu.— Finalmente.

Os dois iniciaram a perseguição. Sabiam que Nawari estava esgotada. Era o momento perfeito. Mas a feiticeira ainda possuía um último truque. De repente, surgiu diante do último mago. Seu olhar encontrou o dele. Paralisia imediata. Antes que pudesse reagir, Nawari lançou um feitiço devastador. O corpo do mago foi reduzido a cinzas. Faramir viu tudo. E desapareceu entre as árvores.

Nawari respirava com dificuldade. Seu corpo tremia. Cada feitiço usado cobrava um preço enorme. — Falta apenas ele... — Só mais um pouco... — Jasmine... — Giciel... Preciso encontrar vocês. O vento assobiava pela floresta destruída. Tudo estava silencioso. Até silencioso demais. Então aconteceu. Uma dor atravessou seu peito. Ela olhou para baixo. A ponta de uma espada surgia através de seu corpo. Faramir havia esperado escondido. Observando. Esperando o momento perfeito. O sangue começou a escorrer. — Te encontrei. — sorriu ele. Nawari fechou os olhos por um instante. — Sim. — Você me encontrou. Ela respirou fundo. — Eu o subestimei, guerreiro dourado. — Um ataque pelas costas é uma das coisas mais indignas que existem. Faramir gargalhou. — Em uma guerra usamos o que for necessário. Retirou a espada. — Acabou para você. — Agora vou atrás daqueles dois.

Faramir aproximou-se. Com um golpe, derrubou Nawari no chão. — Ouviu bem? — Vou matá-los lentamente. — Quero ouvir os gritos deles ecoarem por toda esta floresta. Nawari ergueu o olhar. — Por favor... — Leve-os para o exército de Eroim. — Não os mate. — Eles são talentosos. Faramir apenas ria. — Escutei bem. — Mas farei exatamente o contrário. — Eles vão sofrer. — Muito. — Morra em paz, velha.

Ele desapareceu entre as árvores. Nawari ficou sozinha. Enquanto a vida escapava lentamente de seu corpo, lembranças começaram a surgir. Jasmine. Giciel. Ela os havia criado desde bebês, ensinando, protegendo e amando. Eram como filhos. Giciel sempre dedicara sua vida à proteção e à cura. Jasmine nascera para a batalha. Juntos eram o futuro do Reino Mágico. E agora... Tudo parecia incerto. Seus olhos começaram a se fechar.

Então uma luz apareceu. Depois outra. E outra. Uma energia calorosa envolveu seu corpo. Paz. Conforto. Cura. Jasmine e Giciel haviam chegado. Desesperados, utilizavam todo o seu poder para salvá-la. O brilho de suas magias podia ser visto de longe. Ferimentos se fechavam. O sangue desaparecia. A vida retornava lentamente. — Aguente firme, senhora Nawari! — gritou Giciel. Jasmine chorava. — Não deveríamos ter deixado a senhora...

Quando terminaram o tratamento, Nawari permanecia desacordada. Os dois então a cobriram com um manto. Mas naquele instante... Sentiram uma presença. Uma presença terrível. Ao se virarem... Faramir estava ali. A espada já em mãos. Sorrindo. — Ora, ora... — Achei vocês. — Obrigado por usarem uma magia tão chamativa. Jasmine ergueu sua energia. — Essa luta acabou. — Vá embora. — Eu só irei embora quando terminar com vocês dois. Giciel respondeu: — Você vai se arrepender do que fez com a senhora Nawari. — Mas não será hoje. Os irmãos trocaram olhares.

Um clarão colossal surgiu. E, em um único instante... Os três desapareceram. Faramir ficou sozinho. Tomado pelo ódio. Seus gritos ecoaram por toda a floresta. Eles haviam escapado mais uma vez. Ferido e exausto, caminhou até a margem do rio. Ali encontrou seu cavalo bebendo água. Após se hidratar, montou lentamente. Sua missão havia fracassado por enquanto. Mas ele retornaria. E quando voltasse... A caçada a Zafir, Zafiel e Belchior continuaria.