Temporada 2 · Capítulo 12
PROTEÇÃO AO SALGUEIRO SAGRADO

No Reino das Fadas, as bestas continuavam avançando pelas terras e destruindo tudo o que encontravam pela frente. O fogo consumia florestas. Casas eram reduzidas a cinzas. Os gritos ecoavam por todos os cantos. A invasão estava cada vez pior. As criaturas já haviam alcançado os arredores do Salgueiro Sagrado, o coração do Reino das Fadas. Ali permaneciam Viseryon e as poucas fadas que ainda resistiam. A primeira onda de monstros já havia sido derrotada graças aos esforços dos defensores, mas novas criaturas surgiam sem parar. Viseryon observava o gigantesco Salgueiro com preocupação. A fumaça dominava o céu. O cheiro de queimado tomava conta do ar. O som da batalha era assustador. Seu coração queria partir para ajudar seu povo, mas sua missão era clara. Proteger o Salgueiro. E dali ele não sairia. De repente, um novo som chamou a atenção de todos. O trotar pesado de inúmeras criaturas. Novas bestas estavam chegando. Bufálos de guerra. Criaturas híbridas que possuíam a força brutal de búfalos e a postura de guerreiros, avançavam sobre duas patas, destruindo tudo em seu caminho. As fadas tentaram resistir. Mas eram esmagadas pela força dos monstros. Viseryon cerrou os punhos e seu pequeno dragão uniu-se a ele. As asas surgiram e o poder aumentou. A batalha começou novamente naquela área.

O pequeno dragão sempre se unia a Viseryon quando ele precisava de mais força, mais velocidade, mais poder, ou mais resistência. Viseryon era incrivelmente forte. Com os próprios punhos, derrubava as criaturas uma após a outra. Mas a batalha era longa, e o cansaço começava a aparecer. Quando suas forças diminuíam, ele fundia-se novamente ao dragão e lançava poderosas rajadas de fogo contra os inimigos. As chamas consumiam várias bestas de uma só vez. Mesmo assim, elas continuavam chegando. As fadas ao seu redor lutavam com coragem. Mas uma a uma eram derrotadas. Viseryon não conseguia proteger todos. Era doloroso ver seus irmãos tombarem, mas ele não podia desistir. Custasse o que custasse. O Salgueiro permaneceria de pé.

Depois de destruir a última criatura terrestre daquela investida, algo chamou sua atenção. Gritos estridentes ecoaram pelos céus. Ao erguer os olhos, viu dezenas de monstros alados sobrevoando o Salgueiro. Eles estavam incendiando seus galhos. Tomado pela raiva, Viseryon fundiu-se novamente ao dragão e voou. Sua velocidade era impressionante. Suas garras rasgavam os inimigos. Seu fogo consumia aqueles que tentavam fugir. Em poucos minutos, os céus estavam limpos. Mas o problema continuava. As chamas se espalhavam pelas folhas do Salgueiro. Viseryon tentou apagá-las. Porém, antes mesmo de terminar, novas criaturas já surgiam tanto no chão quanto no céu. — Não consigo dar conta sozinho... Ele apertou os dentes. — Estão surgindo cada vez mais! — Eu preciso proteger o Salgueiro... — Não posso falhar! Foi então que uma luz surgiu ao longe. E junto dela, raízes começaram a emergir do solo.

As raízes atravessavam as bestas terrestres. Outras eram puxadas dos céus e esmagadas contra a terra. Era Acer, a Fada da Natureza. Ela havia sentido várias presenças desaparecerem naquela região. Quando percebeu que apenas Viseryon ainda resistia, correu imediatamente para ajudá-lo. — Acer! Que bom que está aqui! — disse Viseryon. Ela pousou ao seu lado. — Precisamos conter essas criaturas. — Se continuarem avançando, o Salgueiro não resistirá às chamas. Viseryon concordou. Logo voltou a atacar as criaturas dos céus enquanto Acer utilizava todo o seu poder para conter os inimigos terrestres.

Acer lançava raios mágicos contra os monstros mais fortes. Suas raízes eram poderosas. Mas algumas criaturas conseguiam se libertar delas. Por isso ela era obrigada a gastar ainda mais energia. Cada feitiço consumia uma parte de suas forças. Mesmo assim, continuava lutando. Os dois formavam uma excelente equipe, mas havia um problema. As bestas nunca paravam de chegar. Era como enfrentar um exército infinito. Muitas fadas já começavam a recuar. A batalha era desigual e cruel. Mas as fadas jamais desistiriam tão facilmente. Acer observou o horizonte tomado pela fumaça. — Isso parece não ter fim... Ela respirou fundo. — Nunca imaginei que existiriam tantas criaturas nestas terras. Seu olhar subiu para o céu. — Gaia... nos ajude, por favor.

Viseryon avançava em velocidade absurda. Acer prendia as criaturas e ele dava o golpe final. Os dois trabalhavam em perfeita sintonia. — Acer! Precisamos continuar assim! — Logo conseguiremos vencer! Ela concordou com um aceno. Então elevou sua magia ao máximo. Gigantescas raízes cobertas por espinhos surgiram do solo. Elas atravessavam dezenas de criaturas ao mesmo tempo. Enquanto isso, Viseryon incendiava tudo que voava sobre o Salgueiro.

Por um momento, acreditaram que estavam conseguindo controlar a situação. Mas então perceberam algo terrível. Pequenas criaturas aladas estavam pousando sobre o Salgueiro. Centenas delas. Milhares. Todas carregando pequenas chamas. Viseryon imediatamente correu para detê-las e Acer utilizou seu pólen mágico. Uma nuvem dourada espalhou-se pelo ar. As criaturas começaram a cair adormecidas. Assim que tocavam o chão, eram capturadas pelas raízes. Mas novas ondas continuavam chegando. Pelo céu, pela terra, por todos os lados. Quanto tempo ainda conseguiriam resistir?

Acer já estava exausta. Suas raízes ficavam cada vez mais lentas. Cada vez mais fracas. Foi então que algumas criaturas cuspidoras de fogo conseguiram alcançá-la. Ela desviou da primeira investida, da segunda, mas a terceira a atingiu. Logo em seguida recebeu um golpe brutal. Seu corpo foi lançado ao chão. Antes que os monstros pudessem terminar o ataque, Viseryon apareceu. Com um único golpe destruiu todos eles. — Acer! — Tome cuidado! — Um único erro pode ser fatal! Ela tentou se levantar. Mas suas forças estavam desaparecendo.

Criaturas ainda maiores surgiram. Monstros alados gigantescos. Acer os prendeu com suas raízes. Mas um deles conseguiu escapar. Num único golpe, a lançou ao chão e sua visão ficou turva. Antes que pudesse reagir, a criatura a agarrou pelo pescoço e começou a levá-la em direção às enormes presas. Acer reuniu suas últimas forças e então liberou uma poderosa explosão de energia mágica. A onda de choque destruiu todos os monstros próximos. Ofegante, ela voou até o Salgueiro e ao tocar seu tronco, absorveu parte da energia mágica que ainda restava nele. Uma ideia surgiu imediatamente. Ela poderia utilizar o próprio poder do Salgueiro para ajudá-los.

Acer pronunciou palavras mágicas e uma enorme flor dourada surgiu diante do Salgueiro. A flor abriu suas pétalas. E liberou uma quantidade absurda de pólen mágico. Todas as criaturas terrestres que se aproximavam começaram a cair adormecidas. Era exatamente do que precisavam. Com a defesa terrestre temporariamente estabilizada, Acer voltou aos céus. Lado a lado com Viseryon, lançou esferas mágicas contra os monstros voadores. Várias criaturas despencavam em chamas. Mas Viseryon já estava no limite. Seu corpo mal conseguia continuar lutando. Percebendo isso, Acer pousou ao seu lado. Com um toque suave, utilizou sua magia restauradora. As forças dele retornaram.

Revigorados, os dois voltaram ao combate. Acer fez raízes gigantescas surgirem por toda a região. Viseryon transformava cada uma delas em armadilhas flamejantes. A combinação era perfeita. Mas até mesmo eles tinham limites e Acer percebeu algo preocupante. Ao tocar novamente o Salgueiro, quase não conseguiu absorver energia. O antigo guardião estava enfraquecendo. As queimadas consumiam seus galhos e suas raízes. Sua própria vida. Viseryon então falou: — Acer... nós não vamos conseguir sozinhos. — Vá buscar ajuda. — Eu continuarei segurando essas criaturas. Ela hesitou. Mas sabia que ele estava certo. Então concordou e levantou voo.

Acer subiu cada vez mais alto. Mas, de repente, algo a atingiu. Garras afiadas prenderam seu pescoço, uma criatura alada a havia capturado. Ela possuía rosto de mulher, mas corpo de águia. Um ser grotesco. A criatura gargalhou. — Ora, ora... — Peguei mais uma fadinha. — Nunca mais vou precisar procurar comida! Acer tentava se soltar, mas as garras perfuravam cada vez mais sua pele. Ela mal conseguia respirar. Lá embaixo, Viseryon testemunhou tudo. Sem pensar duas vezes, abandonou sua posição. E disparou pelos céus para salvá-la. Enquanto isso... O Salgueiro Sagrado permanecia praticamente sem defesa. Novas bestas já avançavam em sua direção. A batalha se tornava cada vez mais intensa. Cada vez mais desesperadora. E uma pergunta começava a surgir no coração de todos: Onde está a Rainha Heliara?