Temporada 2 · Capítulo 8
ADEUS, BLOOM

No Reino das Fadas, a fumaça tomava conta dos céus. A paisagem ardia em chamas, e a música eram os gritos de bravura ou de pavor. As fadas lutavam com todas as suas forças, até mesmo aquelas que mal sabiam usar magia ou qualquer tipo de arma mágica. Todas queriam vencer aquela guerra. As bestas, movidas pela fome e pelo ódio, aniquilavam as mais fracas com facilidade, transformando o chão em rios de sangue. Em nenhuma outra era havia sido vista uma batalha tão sangrenta. Muitos, ao perceberem que perderiam, fugiam o mais rápido que podiam, mas as bestas continuavam chegando, cada vez mais. Seu exército parecia interminável.

Mais ao centro da floresta, Bloom, a fada venenosa, e Alinda, a fada do fogo, lutavam contra bestas que pareciam pequenos dragões terrestres. As duas amigas usavam todo o seu poder para proteger os indefesos e aniquilar aquelas criaturas. Alinda, suando, diz: — Estamos sendo atacadas por todas as direções, precisamos nos dividir, amiga! Bloom responde, já exausta: — Também acho. Você se sai melhor nos céus do que eu, então vá e acabe com as criaturas voadoras! Antes de voar, Alinda dispara um jato de fogo, destruindo todas as criaturas que vinham em sua direção. Ela olha para Bloom e pergunta: — Você vai ficar bem, né? Bloom sorri: — Claro! Termine lá em cima e volte. Vou cuidar das que estão no chão e ver se alguém precisa de ajuda. Alinda então levanta voo, ainda com um pressentimento ruim. Ao alcançar os céus, mal conseguia enxergar por causa da fumaça, mas logo encontra as criaturas e parte para abatê-las.

No chão, Bloom encontra duas fadas lutando contra mais bestas e se junta a elas. Seu veneno atinge as criaturas, fazendo-as derreter como velas. Mas, de repente, o número de bestas aumenta drasticamente. As duas fadas são abocanhadas diante dela. Bloom recua, tomada pelo pavor, tentando recuperar o fôlego. Exausta, ela se esconde sob uma grande casca de árvore, observando as criaturas passarem. — Preciso me recuperar... Alinda vai voltar logo... e eu preciso ajudar as outras. Pensou ela. Determinada, Bloom sai de seu esconderijo e libera um vapor venenoso que faz todas as bestas ao redor derreterem como ácido.

As criaturas caiam mortas, então ela ouve gritos à frente e corre. Ao chegar, vê uma besta engolindo um anão que gritava em desespero. Por um segundo, Bloom hesita, e é atingida por uma cauda, sendo arremessada contra uma árvore. Caída, atordoada, ela tenta se concentrar, mas logo é cercada novamente. Respirando fundo, Bloom canaliza sua magia. Raios venenosos explodem de seu corpo, atingindo todas as bestas ao redor e as destruindo por completo. Ela cai de joelhos, no limite. Ao longe, mais criaturas se aproximam. Desesperada, ela olha para os céus e sussurra: — Gaia... me dê forças...

Tomada pela dor e pela fúria, Bloom se levanta e começa a lançar raios cada vez mais poderosos, aniquilando tudo ao seu redor. Sem pensar, apenas reagindo, ela destrói tudo que se aproxima. Ela sobe em uma árvore para tentar avistar Alinda, mas é surpreendida por uma besta que a arranha e a derruba. Ferida, ela se arrasta até o interior de um tronco e se esconde. Ali, lágrimas escorrem enquanto lembra dos momentos felizes vividos naquele lugar. Ela não sabia se iria sobreviver.

Quando percebe que a criatura foi embora, Bloom sai do tronco, mas é imediatamente mordida no braço por uma besta que surge por trás. Outras aparecem, a arranham e a lançam longe. Caída e sangrando, ela encara as criaturas. — Vocês vão se arrepender de terem vindo ao nosso lar... não vamos nos entregar tão fácil! Ela libera novamente sua fumaça venenosa, matando algumas delas. Mas outras surgem voando. Uma a agarra pelas asas e a joga ao chão com violência, quebrando sua perna e o desespero cresce. A mordida também era venenosa. Seu braço já não respondia. Sem uma perna, enfraquecida, Bloom olha para o céu, com lágrimas escorrendo. Como último esforço, libera um ataque final, um jato venenoso devastador que mata todas as criaturas ao redor. Logo depois, ela vomita, o corpo entrando em colapso. Sabia que não era uma mordida comum. Deitada no chão, ela encara as folhas caindo... e fecha lentamente os olhos.

Nos céus, Alinda destruía as bestas voadoras com um poder nunca antes visto. As criaturas eram enormes, com chifres e asas de morcego, cuspindo fogo. Alinda desviava e contra-atacava, incendiando-as. — Eles não acabam nunca... não sei quanto tempo vou aguentar... preciso ajudar a Bloom! — pensou ela. Ela dispara várias esferas de fogo, derrubando inúmeras criaturas, mas mais continuam surgindo.

Do alto, Alinda percebe que a floresta inteira está em chamas, quase alcançando o salgueiro sagrado. De repente, uma besta maior a atinge e a arremessa. Ela se estabiliza no ar. A criatura era muito mais forte. Ela atacava com fogo e garras afiadas, mas Alinda, ágil, absorvia as chamas inimigas, fortalecendo-se. Ainda assim, contra força bruta, precisava recuar. No momento certo, ela se aproxima e toca o peito da besta, incendiando-a por dentro. A criatura cai em desespero.

Mais bestas se aproximam. Alinda concentra sua energia e cria tornados de fogo vivo, destruindo tudo ao redor. Enquanto voa, absorve as chamas da floresta, impedindo que o fogo se espalhe. Seu poder cresce, mas também a consome. Ela então avança contra um grupo de criaturas, decidida a acabar com aquilo.

No centro do grupo, libera uma explosão massiva de fogo. Tudo ao redor é destruído. Alinda estava em chamas, como a própria rainha do fogo. Mas seu corpo não suportava mais.

Ela olha para o chão, procurando Bloom. Nesse instante, é atingida por um golpe violento e arremessada. Ela desmaia. Ao cair, revive memórias com sua amiga. Recuperando a consciência, vê a criatura se aproximando. Sem forças, reúne o que resta de energia e cria uma bola de fogo, destruindo a besta.

Ela cai novamente, sangrando. — Por favor... alguém... Bloom... — sussurrou ela. Mais criaturas surgem, cercando-a. Sem saída, de joelhos, ela grita: — Vocês nunca vão nos matar! Vamos destruir vocês, nem que seja a última coisa que façamos! Ela abaixa a cabeça.

Quando as bestas avançam, uma lâmina corta várias cabeças de uma só vez. Uma onda de água destrói o restante. Do meio das árvores surgem dois cavaleiros. Alinda arregala os olhos: — Q-quem são vocês? — Somos Thalíria e Nuski, do Reino Celestial. Viemos ajudar. Responderam eles. Mesmo confusa, Alinda pede: — Por favor... minha amiga... Bloom... Eles a pegam e seguem em direção ao local indicado, abrindo caminho entre as criaturas.

O caminho era um massacre. Thalíria cortava as bestas com lâminas de água. Nuski carregava Alinda, protegendo-a. — Precisamos encontrá-la rápido — diz Thalíria. Eles aceleram a corrida para achar a amiga de Alinda.

Alinda então vê um tronco caído. Ao lado, várias bestas mortas. E Bloom... caída. Seu coração para. — BLOOM!! Ela se solta e corre, abraçando o corpo da amiga. Chora desesperadamente. Não havia sinais de vida. Era tarde demais.

As bestas continuam surgindo. Thalíria diz: — Precisamos ir! — NÃO! — grita Alinda. — Não posso deixá-la! Nuski responde: — Nossa rainha dará abrigo aos sobreviventes. Precisamos partir! Sem escolha, eles a levam à força.

No caminho, veem fadas sendo devoradas. A floresta queimava. — Qual seu nome? — pergunta Thalíria. — Alinda... precisamos achar nossa rainha... — Nosso barco está na praia. Você ficará segura lá. Eles seguem, abrindo caminho até o litoral.

Para trás, Alinda deixa sua amiga. Bloom, a fada venenosa, forte, gentil, e capaz de trazer alegria até nos momentos mais sombrios. Ela seria lembrada. Assim como suas irmãs, Kirlyem e Flix. Guerras sempre trazem morte. Nunca se sabe quem irá sobreviver. Mas aqueles que vivem... carregam as memórias. E lutam por elas. Bloom viveria para sempre no coração das fadas.