Temporada 2 · Capítulo 7
O ÚLTIMO COMBATE DE RONWTHOR

O dia estava lindo em outras áreas de Arcânia, embora a guerra fervesse no Reino das Fadas. No Reino Mágico, a vida seguia. Os exércitos de Eroim cresciam, seus guerreiros tinham sede de dominar todos os reinos de Arcânia, e os magos aprendiam feitiços proibidos a mando do pilar do reino. A produção de armamentos acelerava cada vez mais. Faramir era o capitão das tropas do Reino Mágico, um guerreiro nato que chamava atenção por seus traços delicados e quase femininos. Sua habilidade em combate era imparável, empunhava uma espada como ninguém.Treinava sempre o exército até tarde, pois era o melhor para tal missão. Era reconhecido também por nunca falhar em suas missões, um capitão formidável para o seu reino. Além disso, venerava Eroim de todo o seu coração.

Naquele dia, foi chamado até o grande salão por Eroim, pois o pilar queria atualizações da situação do seu reino e novas demandas ao exército. Eroim fica feliz em ver Faramir e diz: — É incrível poder ver alguém em quem podemos confiar! Faramir, se curvando, logo responde: — Meu senhor, fico feliz em vê-lo! Trago boas notícias ao pilar! — Nosso exército está cada dia mais capacitado para dominarmos novas terras, os magos dominam a magia maligna como nunca. Ganhamos muitos novos recrutas e isso fortalece nosso reino. — Já existem poucos vilarejos por perto, a maioria juntou-se a nós e cedeu seus homens para integrar nosso exército em troca de proteção. Eroim responde: — Ótimo! Soube que as bestas enfim chegaram ao Reino das Fadas, agora é uma questão de tempo para aquele reino virar cinzas! — sorriu ele. Faramir completa: — Meu senhor, além de todas essas notícias, a Trilha das Fadas se desfez completamente, verificamos logo pela manhã. Os demônios das sombras cumpriram sua missão. — Agora tudo indica que o exército dos mortos possa ter um novo foco! Eroim responde: — O Ceifeiro agora não vai parar, quero que observem os passos dele. Pelo que sei, ainda está no Reino Doce… ou melhor, no que sobrou dele. Ambos soltam gargalhadas juntos.

Eroim fala: — Irei te abençoar com minha magia, meu filho. Irei fortalecer seus objetos de batalha, com isso sua força vai aumentar ainda mais. — Quero também que se certifique de que Zafir e Zafiel fiquem lá até se arrependerem do que fizeram. Pode até torturá-los se assim quiser. O que eu quero é pessoas fiéis comigo, e eles já não serão mais. Agora serão prisioneiros para sempre deste reino. Faramir diz: — Meu senhor, sou grato por me conceder seu poder, e quanto aos dois, pode deixar comigo. Irei cuidar bem deles. Sempre tiveram tudo o que queriam e jogaram fora… agora vão experimentar o terror da traição. Faramir reverencia Eroim e sai em direção à cela das cavernas.

Na cela, Zafir e Zafiel permaneciam aflitos e inquietos por estarem presos sem poderem fazer nada. A inquietação tomava conta de seus corações, os fazendo quase surtar. De repente, as grades da cela se abrem, e Faramir entra para falar com eles, dizendo: — Estão confortáveis? Zafiel responde, brava, se levantando do chão: — Vou estar melhor quando cortar sua garganta! Zafir a segura para impedir que fizesse algo. Faramir, sorrindo, responde: — Que fera, hein… eu sempre soube que um dia vocês dois iam cair. Dito e feito, minha cara. Agora eu os verei mofarem e enlouquecerem dentro dessas celas, nessa caverna. — Eu virei vê-los todos os dias, pois quero ver aqueles que esbanjavam poder e riqueza com Eroim um dia… comendo o pão que as bestas amassaram. Zafiel, aos gritos, fala: — Você vai se arrepender! Nós nunca fomos como a elite deste reino, sempre de alguma forma tentamos ajudar, mas não adianta… não pertencemos a este lugar! Faramir chega bem perto dos dois, sorri e vai embora acenando, enquanto Zafiel chora de raiva e é consolada por Zafir.

Em um vilarejo bem próximo do Reino Mágico, um trio bem peculiar estava sentado conversando sobre os atuais acontecimentos em Arcânia. Eram Nawari, Jasmine e Giciel. Os três eram moradores do Reino Mágico, mas viviam ajudando vilarejos ao redor com suas habilidades. Nawari já era bem idosa, mas uma feiticeira poderosa que acabou adotando os irmãos gêmeos Jasmine e Giciel ainda quando pequenos. Ambos foram encontrados em um cesto próximo da floresta, em uma noite escura. Nawari os adotou e treinou até os dias atuais, sendo Jasmine uma feiticeira capaz de controlar com sua magia o que desejar, e Giciel um curandeiro formidável, muito demandado para ajudar pessoas com doenças. Os três passam o tempo viajando de um lugar para o outro, ajudando quem precisasse sem pedir ouro, apenas pousada e alimentos.

Por eles passam alguns guerreiros do Reino Mágico que perguntam aos três se tinham visto fadas por aquele lugar, pois estava proibido aquela raça entrar nos domínios do Reino Mágico. Logo Giciel diz que isso seria um absurdo, as fadas nunca fariam mal a ninguém, mas o soldado que comandava a tropa não recebe bem o comentário do garoto e o pega com outro colega, dizendo que não será tolerado apoio às fadas naquele domínio. Jasmine se levanta com Nawari e pede para eles o perdoarem, mas é ignorada, e começam a levar Giciel, que se mantém calmo. Os soldados estavam muito bravos com o garoto e poderiam fazer o pior com ele.

Porém, com um erguer de seu cajado, Nawari faz os guerreiros caírem no sono. Não precisou de muito poder por parte dela para finalizar aquele desentendimento. Giciel diz: — Obrigado! Mas quando acordarem vão se lembrar de nós! Ela responde, sorrindo: — Não se preocupe, meu filho… eles vão achar que beberam demais. Jasmine recolhe as coisas do chão e diz que é melhor seguirem para a floresta para catar os cogumelos para o almoço logo, antes que eles acordem. Os três então seguem em direção à floresta para terem um bom almoço.

Nos portões do Reino Mágico, Ronwthor e Belchior chegam montados em um cavalo finalmente. O suor escorria por debaixo de suas roupas, pois cavalgaram a noite toda para chegar o quanto antes. De longe, avistam muitos guerreiros cuidando dos portões do reino, o que os deixava sem muita escolha para entrar sem serem notados. Ronwthor diz: — Vamos dar a volta no reino, provavelmente estão nas celas da caverna! Mas vamos precisar ir pelo esgoto do reino. Deixamos o cavalo na entrada e seguimos a pé. Se não estiverem lá, podem estar presos nos quartos do castelo, mas acho difícil. Belchior concorda em ir pelo esgoto, pois não tinham outra alternativa, e lutar naquele estado contra muitos seria o fim deles. Então ambos dão a volta por fora dos muros, chegando até a entrada do esgoto.

Os dois conseguem acessar o reino pelo esgoto, já saindo bem próximos das cavernas. Atravessam algumas casas com muito cuidado para não serem vistos pelos guerreiros de guarda que passeavam pelas áreas. Um passo em falso e precisariam lutar ali mesmo, antes de chegarem até Zafir e Zafiel. Ronwthor, como conhecia bem o Reino Mágico, guiava Belchior de uma maneira que era difícil serem vistos.

Ao avistarem de longe a entrada da caverna, percebem que há apenas dois guardas. Ronwthor diz: — Dia de sorte! Um para cada de nós! Belchior responde: — É… parece que sim. Vamos, não podemos fazer muito barulho, senão chegam mais. Eu pego o da direita e você o da esquerda. Ronwthor concorda, e os dois correm em direção aos guardas, que estavam distraídos, sendo nocauteados rapidamente. Eles então arrastam os corpos para o canto, longe da entrada… e quando se viram, seus corpos congelam por alguns segundos.

Faramir estava na frente da entrada, os observando em posição de ataque, com sua espada em mãos. Faramir diz: — Olá, invasores… que ventos os trazem aqui? — Parece que sobreviveu no Reino da Floresta, Ronwthor… que curioso. Belchior e Ronwthor empunham novamente suas espadas, e Belchior diz: — Você não vai nos impedir. Viemos tirar nossos amigos daqui! Faramir responde, rindo: — Amigos? Você parece apaixonado por Zafiel… só por isso deve estar aqui, Belchior. Sei bem… um assassino como você sempre tem interesses. — Mas o mais curioso… é por que Ronwthor está nos traindo, hein? Pode me dizer? Ronwthor dá um passo à frente: — A traição começou quando Eroim foi embora sem me procurar na batalha… estou encantado por algum feitiço, mas minha alma quer ajudar de alguma forma. — Você um dia vai se arrepender como eu! Prepare-se… eu serei seu oponente! — Belchior, vá achar os dois e fuja! Esse aqui eu vou fatiar para o almoço! Belchior, confuso, concorda e olha para Faramir, que diz: — Pode ir… vou acabar com ele rapidamente e logo vou atrás de você, Belchior!

Belchior então corre para dentro da caverna para achar Zafir e Zafiel. Ronwthor, sem perder tempo, parte para cima de Faramir, que se protege com seu escudo. Ambos desferem ataques extremamente fortes com suas espadas. Faramir não deixa de sentir o impacto da lâmina gigante de Ronwthor. Faramir, com sua lâmina e escudo encantados, também impressionava Ronwthor com tamanha força e agilidade, era de se esperar de um capitão do Reino Mágico. Faramir diz: — Uau… sua força é impressionante. Pena que vai morrer, senão poderíamos conversar melhor. — sorriu ele. Ronwthor responde: — Agradeço… mas não é minha onda ter papo sem ser na porrada. E desfere um ataque brutal que quase atinge Faramir.

A batalha era intensa. Ambos conseguiam prever os movimentos um do outro. Faramir, por um momento, achava que Ronwthor seria mais lento por conta da espada grande e pesada… mas era o contrário. Ele a conduzia com maestria. Os dois atacavam e desviavam, era uma luta de guerreiros formidáveis. Faramir, por um momento, recua para recuperar o fôlego e pensar… Mas Ronwthor não dá espaço. Avança com tudo, desferindo vários golpes mortais com sua espada. Faramir se protege rapidamente com seu escudo.

Já dentro da caverna, Belchior corria procurando a cela de Zafir e Zafiel. Até que, de longe, atrás das grades, os avista sentados no chão. Corre rapidamente em direção a eles. Ao vê-lo, os dois se levantam, a esperança surge novamente. Zafir avisa que as grades estão encantadas com a magia de Eroim. Belchior pede para não se preocuparem. Ele se concentra… A lâmina de sua espada começa a brilhar intensamente. E então… corta as grades. Sua espada mágica era capaz de cortar magia.

Belchior entra e abraça os dois: — Não iríamos deixar vocês jamais! Zafiel responde: — Obrigada, Belchior! Sinto muito pelo Clopem… pelo Elionor e pelo Kyrli… Belchior a interrompe: — Clopem infelizmente se foi… mas Kyrli e Elionor estão vivos, indo ajudar as fadas. E nós vamos sair daqui para lá também! Zafir fala: — Que bom que eles estão vivos… — suspirou aliviado com Zafiel. Belchior diz: — Precisamos ir! Ronwthor me ajudou a chegar até aqui… ele está encantado, mas no fundo quis nos ajudar. Zafiel responde: — Não acredito que aquele cara está do nosso lado… Belchior apressa os dois, e eles correm para a saída.

Do lado de fora da caverna, a luta fervia entre Faramir e Ronwthor. Ronwthor se esforçava para acabar logo com a luta, mas Faramir era muito ágil, desviando de todos os ataques. Em um momento de distração… Faramir se esquiva de um golpe… E, em um ataque brutal e veloz… ARRANCA o braço de Ronwthor. O grito ecoa. Ronwthor se afasta, perdendo muito sangue. Faramir diz: — Humm… escapou por pouco. Você está armando demais, isso me dá brecha para te pegar mais rápido. Nesse momento, Belchior aparece com Zafir e Zafiel. Os três ficam chocados ao ver o braço de Ronwthor no chão. Mas ele, mesmo ferido, grita: — VÃO! Não percam tempo! Eu vou logo atrás! Belchior concorda, e os três saem correndo.

Faramir pega sua espada novamente… E, em um movimento rápido… Consegue virar a luta. Ronwthor cai para trás. Faramir sobe sobre ele, apontando a espada para seu pescoço. — Acabou. Você nunca teve ninguém ao seu lado… e nem agora, na sua morte, vai ter. — Sua morte não fará falta para ninguém. Assassinos não fazem falta quando morrem. Você escolheu o lado errado. Ronwthor responde: — Não preciso de ninguém… escolhi essa vida. Agora é a hora de descansar. — Vocês vão se arrepender… existem pessoas que lutam pelo bem. Mesmo eu estando contra elas, eu vi a força que tinham… — Estarei torcendo por eles… de alguma forma. — Vamos… acabe logo com isso. Faramir então corta a garganta de Ronwthor. Ele sufoca até a morte. Faramir então se levanta e corre até o pátio do castelo, monta em seu cavalo e parte atrás dos fugitivos, levando dois magos consigo.

Dentro do esgoto, Belchior, Zafir e Zafiel corriam para a saída. Ao chegarem lá, o cavalo havia fugido. Sem parar, seguem correndo para a floresta. Belchior diz: — Ronwthor não vai sair vivo de lá… precisamos encontrar um esconderijo! Zafiel responde: — Ele fez a parte dele… que descanse em paz! — Se seguirmos por aqui, talvez cheguemos a um vilarejo próximo. Vamos! Zafir corria ao lado deles, com todas as suas forças.

Próximo dali, dentro da floresta a beira de um rio, Nawari, Jasmine e Giciel estavam catando cogumelos para o almoço. Jasmine diz: — Nossa, já estou cansada… essa briga me deixou deslocada. Não consigo aceitar isso de estarem contra as fadas. Nawari responde: — Não estão contra as fadas… estão contra aqueles que não veneram Eroim. — Uma pena tudo isso… quando servi ao pai de Eroim, o Reino Mágico era um lugar de paz. Hoje é um lugar de terror e tirania para aqueles que não seguem suas leis. Giciel fala: — Queria ter conhecido o pai do atual pilar… será que ele era mais legal? Nawari responde: — Ele era o rei mais bondoso de todos… mas seu filho, desde pequeno, carregava uma aura sombria. Não adianta… De repente, todos escutam o som de passos se aproximando rapidamente… E se juntam.

Do meio da floresta, correndo, aparecem Belchior, Zafir e Zafiel, dando de frente com eles. Os três estavam ofegantes, com o semblante tomado pelo medo e pela urgência. Nawari então se aproxima e diz: — Olá, Zafir e Zafiel… bom vê-los! — sorriu ela. Belchior responde, surpreso: — Você os conhece? Zafiel fala: — Me recordo pouco da senhora… lamento. Mas estamos fugindo! Jasmine diz: — Meu Deus… só nos metemos em enrascada hoje, hein… Nawari fala: — Soube que estavam presos. Sei de toda a história. Quem está atrás de vocês? Zafir responde: — Faramir… senhora. Lamento também não a reconhecer. Nawari diz, séria: — Ah… sim. Então ele vai achá-los. — Não adianta correr. Sorriu ela que ao parar de falar logo percebe movimento na floresta.

Então… do meio das árvores… Surgem Faramir e dois magos ao seu lado, montados em seus cavalos. O tempo parece parar por alguns segundos. O vento cessa e o silêncio toma conta do ambiente. Nawari então coloca os três para trás dela e dá um passo à frente, tomando a liderança da situação. Faramir diz: — Ora, ora… o que temos aqui? — Que bom que encontraram esses três fugitivos para nós, senhora Nawari. — sorriu ele. Ela então responde, firme: — Fugitivos? Desculpe… não vejo ninguém assim aqui. — Pelo que soube, eles têm o direito de escolher o que querem fazer e a quem ajudar. O Reino Mágico não pode capturar pessoas assim. Jasmine cochicha para Giciel: — Meu Deus… a senhora Nawari vai nos colocar em uma fria, irmão… Belchior fala para Zafiel: — O que ela está fazendo? Zafiel responde: — Ela está certa… não somos fugitivos. Fomos capturados e impedidos de fazer o que gostaríamos. Faramir então desce do cavalo e caminha lentamente até Nawari. Fica frente a frente com ela… encarando-a em silêncio por alguns segundos. O clima fica pesado.

A tensão no ar era sufocante. Os magos ao fundo já começavam a preparar seus feitiços. Faramir então sorri, mas seus olhos permanecem frios: — Ainda continua a mesma… desafiando o reino. — Mas os tempos mudaram, Nawari. Ele levanta sua espada levemente, apontando para o grupo atrás dela. — E eu também. Nawari finca seu cajado no chão. Uma leve energia começa a se espalhar ao redor… — Então venha… — diz ela, com firmeza. — E tente. O vento volta a soprar com força. As folhas se levantam do chão. E, por um instante… Tudo parece prestes a explodir.