Temporada 2 · Capítulo 5

A QUEDA DA TRILHA DAS FADAS

Naquela noite soprava um vento estranho. Um vento frio, denso… que fazia qualquer um sentir que a própria morte rondava Arcânia. No Reino Mágico, Romeo, um pirata comerciante dos mares, caminhava entre as ruas iluminadas por tochas. Comprava mantimentos, observava cada detalhe, cada movimento. Visitou o mercado, analisou a movimentação dos guardas e escutou conversas pelos corredores como quem não quer nada. Por ser um comerciante de criaturas marinhas raras, tinha livre acesso ao reino. Pescava com camponeses em mar aberto e trazia seres que valiam fortunas nas terras mágicas. Sempre sorridente, sempre discreto… passava despercebido. Mas, se fosse um infiltrado, ninguém suspeitaria. Levava informações valiosas sobre as movimentações de Eroim para quem quer que estivesse disposto a pagar por elas.

Ao passar em frente à forjaria, percebeu algo inquietante: o fogo ardia mais alto que o normal, mesmo sendo alta madrugada. O som dos martelos ecoava firme. Isso significava apenas uma coisa, o exército estava crescendo. Guerreiros e magos estavam sendo armados. Uma guerra se aproximava. Eroim se preparava meticulosamente. Cada espada forjada parecia anunciar sangue futuro. As fadas estavam prestes a ser dizimadas pelo Reino das Bestas, que marchava contra elas por ordem direta de Eroim. O Reino Mágico sempre sabia de tudo o que acontecia em Arcânia. Mas a verdadeira pergunta era: Por que Romeo tinha tanto interesse em colher informações?

Na caverna onde Zafir e Zafiel estavam presos, o tempo parecia não passar. A escuridão era sufocante. O silêncio, cruel. Não sabiam o que havia acontecido após serem levados por Eroim no Reino da Floresta. Não sabiam qual seria seu destino. Zafiel tentou, algumas vezes, encantar os guardas com sua magia. Em vão. Eroim blindara a cela. Nenhuma magia saía dali. Nenhum feitiço tocava as grades. E Zafiel estava desarmada. Restava apenas esperar. Seus pensamentos se enchiam de dúvidas e medos sobre o amanhã.

A oito horas do Reino das Fadas, a floresta ardia. O cheiro de fogo e fumaça subia aos céus, cobrindo as estrelas. Ao longe, ouviam-se gritos… e o trotear brutal de um exército destruindo tudo em seu caminho, pela terra e pelos céus. O exército das bestas avançava como uma praga. Matavam qualquer ser que cruzasse seu caminho. Árvores centenárias caíam como galhos frágeis. A noite estava mais escura do que nunca. Os rugidos ecoavam como um chamado por sangue. Quem ouvisse aquele som por um único segundo sentiria o corpo paralisar de medo. À frente, Haygor, montado em seu dragão colossal, gritava ordens para que avançassem sem parar. — Sigam! Amanhã ao amanhecer, as fadas serão nosso café da manhã!

Seria essa a batalha mais temida da história das fadas?

Na floresta próxima ao Reino Mágico havia um pequeno vilarejo por onde passava a Trilha das Fadas. Todos dormiam. Até que o inferno chegou. Três demônios surgiram na escuridão, destruindo tudo ao redor. Gritos de desespero rasgaram a madrugada. Primeiro, atearam fogo nas casas. Depois nos estábulos. Animais gritavam enquanto as chamas consumiam madeira e carne. A Trilha das Fadas começava a se desfazer sob a magia maligna deles. Alguns tentaram resistir mas foram esmagados pela força brutal de Toryel.

Camponeses imploravam por misericórdia, mas era inútil. Azazel, Mirael e Toryel absorviam as almas dos que encontravam, alimentando-se da essência vital que deixava corpos vazios no chão. Azazel sorriu. — Nunca pensei que fosse tão prazeroso cumprir um pedido do velho Eroim. Mirael gargalhou. — Estamos destruindo a trilha… e nos fortalecendo. Isso é maravilhoso. Azazel então ergueu o olhar, sombrio. — Vamos acabar logo com isso. Agora que estamos cheios… usaremos nosso poder máximo. A trilha desaparecerá de uma vez.

Caminharam um pouco mais à frente do vilarejo destruído e pararam lado a lado. Ergueram as mãos aos céus. A terra começou a estremecer. A magia maligna pulsava como um coração sombrio. A Trilha das Fadas se desfez rapidamente ao longo de seu caminho. Aquela trilha que salvava vidas. Que guiava inocentes em segurança. Virava ruínas diante do poder terrível dos demônios. Mas a pergunta permanecia: As fadas resistiriam à guerra contra as bestas… para um dia reconstruí-la?

No Reino das Fadas, a noite era fria. Poucos dormiam de verdade. A tensão era constante, mesmo sob o escudo protetor da Rainha. Heliara observava a lua, aflita com as ameaças iminentes. Caminhava até a entrada do reino quando algo fez seu coração parar. A trilha… Estava se desfazendo diante de seus olhos, seu corpo gelou. O suor escorreu. Milhares de memórias invadiram sua mente, o dia em que seus ancestrais criaram aquela trilha com sacrifício e união. Heliara caiu em lágrimas, olhou para o céu. — Gaia… tenha misericórdia… Em sua mente, parecia que todo o mundo havia se voltado contra as fadas. Ordenou que, ao amanhecer, pássaros mensageiros fossem enviados aos vilarejos próximos. Precisavam descobrir o que havia acontecido. Mas, no fundo, ela sabia. Só poderia ser obra dos três demônios aliados a Eroim. Heliara recolheu-se. Estava devastada, iria avisar seu povo ao amanhecer sobre o ocorrido com a Trilha.

Próximo ao vilarejo destruído, o Grupo dos Sete corria pela estrada. Ao chegarem, encontraram apenas morte. Corpos esmagados. Almas sugadas. Casas fumegando. O medo ainda parecia pairar no ar. Kyrli murmurou: — Essa energia… devemos ir por outro caminho. Nyssara voou à frente. Sabia que ali passava a Trilha das Fadas. Mas não a encontrava. — Nyssara! Espere! — gritou Tomiro. Elionor falou firme: — Fiquem aqui. Senhor Kyrli, venha comigo! Mais adiante, Nyssara viu… os últimos fragmentos da trilha se desfazendo. Caiu de joelhos e Chorou. E da escuridão, surgiram os três demônios. Pararam diante dela a observando.

Nyssara sentiu a presença antes mesmo de vê-los. Seu corpo congelou. Quando retirou as mãos do rosto… lá estavam eles. Azazel. Mirael. Toryel. A energia das fadas era mais poderosa que a dos humanos. Alimentar-se dela seria um banquete incomparável. Mas o medo de Nyssara começou a se transformar. Virou ódio.

Elionor e Kyrli chegaram ao lado dela. Três contra três. Nyssara falou com a voz trêmula de raiva: — Foram vocês. Só vocês possuem poder maligno suficiente para destruir a trilha do meu povo. Respirou fundo. — Nunca será o fim. Nunca! Kyrli completou: — Estão a mando de Eroim! Mas destruir a trilha não lhes dará vantagem alguma na guerra!

Azazel respondeu com frieza: — Ainda estamos com fome. Toryel riu com voz de trovão: — E sinto mais presas no vilarejo. Mirael gargalhou: — Que noite perfeita… magos, fadas, fauno e filhos de deuses. Nyssara fez surgir sua bola de cristal. — Vocês só sabem atacar indefesos. Hoje terão sorte. Os três se entreolharam, divertidos.

Nyssara ergueu a bola de cristal, sua energia vibrando intensamente. — Porque vocês vão sair vivos daqui. — Não serão vocês que nos impedirão. Estou pronta para matar cada um aqui… mas não hoje. Nos enfrentaremos no momento certo. Azazel gritou: — Que delírio! Vamos devorar suas almas! Nyssara pronunciou palavras antigas. Dentro da bola de cristal, a imagem dos três surgiu. E ela brilhou intensamente.

Em um piscar de olhos, uma pressão esmagadora os envolveu. E desapareceram. Foram teleportados para o início da floresta, próximos ao Reino das Sombras. Caíram no chão, atordoados. Toryel rosnou: — Desgraçada! Vamos nos ver de novo, fadinha! Azazel cuspiu: — Ela teve sorte. Na próxima, nos alimentaremos deles. E partiram de volta ao reino, após cumprir a ordem de Eroim.

Em um piscar de olhos, uma pressão esmagadora os envolveu. E desapareceram. Foram teleportados para o início da floresta, próximos ao Reino das Sombras. Caíram no chão, atordoados. Toryel rosnou: — Desgraçada! Vamos nos ver de novo, fadinha! Azazel cuspiu: — Ela teve sorte. Na próxima, nos alimentaremos deles. E partiram de volta ao reino, após cumprir a ordem de Eroim.