Temporada 2 · Capítulo 4

A ALIANÇA DOS SETE

Ronwthor e Belchior, próximos ao Reino das Sombras, encontram uma carruagem tombada, ainda presa a um cavalo exausto e trêmulo. Ao se aproximarem, percebem que as pessoas ali estavam mortas, seus corpos secos, como se suas almas tivessem sido arrancadas à força, deixando apenas cascas vazias. Ao lado da carruagem… a Trilha das Fadas estava destruída. O choque paralisa os dois por um instante. Aquelas pessoas provavelmente viajavam sob a proteção da Trilha, acreditando estar seguras. Mas foram atacadas pelos únicos capazes de violar aquela magia ancestral… os três demônios do Reino das Sombras. O ar parecia mais pesado. Sem perder tempo, os dois soltam o cavalo sobrevivente, sobem nele e partem em disparada em direção ao Reino Mágico. Cada segundo agora podia significar mais mortes.

No Reino Mágico, Eroim ordena que reforcem todas as defesas. Determina que Celta e o Artesão intensifiquem imediatamente a produção de armas, lâminas, lanças, escudos encantados. O reino precisava estar preparado para as batalhas que se aproximavam. Seus guardas trazem notícias alarmantes: as Bestas foram avistadas cruzando as terras do Reino da Luz. Isso significava apenas uma coisa, estavam quase chegando ao Reino das Fadas. Para Eroim, aquilo representava um reino a menos para se preocupar. Embora mantivesse alianças com outros soberanos, ele sabia que, após a queda das fadas, o próximo passo seria fortalecer seus laços… ou eliminar qualquer reino que, no futuro, ousasse ameaçar sua supremacia. Zafir e Zafiel permaneceriam presos até que a queda das fadas se concretizasse. Depois disso, seriam entregues como moeda de troca para firmar alianças com os reis mais poderosos, um símbolo vivo de submissão. Eroim não sentia pena. Para ele, traição não merecia perdão.

No Reino da Floresta, Elionor e Kyrli chegam à caverna de Tomiro. Deixam as criaturas místicas do lado de fora e entram para encontrar o velho amigo. Ao vê-los, Tomiro abre um largo sorriso. Fazia anos desde o último encontro. A alegria é sincera. Tomiro era conhecido por seu vasto conhecimento sobre os mais diversos cantos de Arcânia. Escolhera viver isolado na caverna para se dedicar ao estudo e ao desenvolvimento de métodos de cura contra feitiços malignos. Os três conversam longamente sobre os acontecimentos recentes. Cada palavra reforça a gravidade da situação. Kyrli o convence de que toda ajuda, naquele momento, era vital. As fadas precisariam de todo apoio possível, mesmo que Tomiro não fosse um guerreiro nato era hora de sair das sombras da caverna e enfrentar o mundo novamente. Seu conhecimento poderia salvar vidas.

Montados nas criaturas mágicas, seguem para as montanhas, onde ficava o santuário sagrado dos irmãos Zenia e Zask. Ao chegarem ao pico, são recebidos com surpresa. Poucos ousavam subir até o santuário para encontrá-los pessoalmente. Elionor explica a situação de Arcânia e o iminente colapso do Reino das Fadas. Os irmãos escutam em silêncio. O santuário fora de seus pais, os deuses da tormenta, e era protegido por eles com devoção absoluta. Mas diante do que estava por vir, permanecer isolados não era mais uma opção. Zenia, uma elfa extremamente habilidosa no combate corpo a corpo, empunhava seu machado com precisão mortal. Zask, por sua vez, era capaz de aniquilar inimigos com um simples movimento das mãos, invocando relâmpagos que atingiam seus alvos com morte instantânea. Os irmãos aceitaram se juntar a eles, e assim com o grupo crescendo, Elionor e Kyrli liberam as criaturas mágicas para retornarem ao seu lar. Agora precisavam de cavalos e dos dois últimos aliados.

Os cinco descem a montanha em direção ao pântano próximo dali, em busca de Folder, o garoto do pântano. Após duas horas de procura, o encontram em um pequeno rio, lavando os pés na água turva. Ao vê-los, seu rosto se ilumina. Havia muito tempo que não encontrava ninguém. Folder preferia viver sozinho, explorando novas espécies de plantas aquáticas do pântano e da floresta. Mas ainda assim, guardava carinho pelos velhos amigos. Apesar da aparência inofensiva, possuía habilidades extraordinárias com plantas. Seu corpo podia se transformar em diversas espécies vegetais, adaptando-se ao ambiente e ao combate. Ao ouvir sobre a situação de Arcânia e o perigo que ameaçava as fadas, ele não hesita. Decide ir com eles. Naquele momento… toda ajuda era essencial.

O crepúsculo se aproximava, o momento perfeito para encontrar a última aliada. Eles então seguem até a cabana da fada Nyssara, a Fada do Crepúsculo, que vivia isolada na floresta. Seus poderes eram únicos: podia reduzir o ódio, equilibrar sentimentos e, através de sua bola de cristal, vislumbrar fragmentos do futuro. Antes mesmo de chegarem, ela já sabia que viriam. A ajuda de Nyssara seria crucial na batalha que se aproximava.

Todos estão diante da cabana quando, atrás deles, Nyssara surge voando, envolta na luz suave do entardecer. Ela sorri levemente dizendo: — Olá, meus amigos. Já estava à espera de vocês. Sua voz era calma… mas carregava um peso invisível. — O futuro será difícil. O que procuram não encontrarão na primeira tentativa… e, na segunda, poderão libertar quem precisa. Kyrli responde com firmeza: — É chegada a hora, minha amiga. Precisamos da sua ajuda. Nyssara fecha os olhos por um instante, como se enxergasse além do presente. — Vejo que somos mais do que imaginávamos. Iremos e faremos o necessário. Quanto mais tardamos, mais vidas se perdem. Meus irmãos estão à beira do colapso… nossa presença pode alterar o futuro sombrio que se aproxima. Ela se junta ao grupo, agora eles sendo sete. A corrida contra o tempo continuava.

Com um suave movimento das mãos de Nyssara, seis cavalos emergem da floresta, como se o próprio crepúsculo lhes desse forma. Sem perder tempo, montam e partem em disparada rumo ao Reino das Fadas. A chegada deles antes das Bestas seria decisiva. Antes de avançarem, Nyssara diz: — Nada pode nos parar. Lembrem-se disso. O caminho da segurança e da ajuda irá se dissipar… e, diante dos cavalos, os demônios se posicionarão. Parar não é uma opção. Nem todos compreendem plenamente suas palavras. Mas sentem o peso delas. E galopam. O destino de Arcânia estava prestes a mudar.