Temporada 1 · Capítulo 30
ENTRE LÂMINAS, ESCOLHAS E ESPERANÇA

No meio da floresta que ardia em chamas por conta dos meteoros destruidores de Eroim, Ronwthor e Belchior lutavam bravamente. Ambos usavam suas lâminas para dar um ponto final na luta que haviam iniciado lá atrás, no Reino das Bestas. Cada um dava o máximo de si. Belchior grita: — Você sempre vai ser um escravo de Eroim! Nunca vai ter amigos e nada nessa vida que valha a pena! Ronwthor responde em meio aos golpes: — Você, os traidores e aquelas fadas vão todos morrer! Arcânia será cenário de guerra. As bestas já devem estar quase chegando às fadas… vai ser o fim delas! Gargalhou, enquanto se protegia dos ataques da espada de Belchior.

Belchior acerta Ronwthor com um chute certeiro, desarmando-o da espada. Mas Ronwthor reage rápido e também desarma Belchior. Ambos entram em um confronto corpo a corpo. Ronwthor acerta o rosto de Belchior com um soco violento, lançando-o ao chão. — Sabe… poderíamos ser companheiros em missões e ganhar muito dinheiro. Mas você decidiu ser um traidor, tentando ser um cara bonzinho. No fim, você é um assassino, meu amigo, igual a mim. — Isso não vai apagar o seu passado! — responde Belchior. Ele se ergue novamente, tomado pela raiva, e grita: — Eu com certeza não posso apagar meu passado… mas nunca mais serei o mesmo. Estarei ao lado de Zafiel e de todos os que precisam. Vou dar a minha vida!

Belchior corre em direção a Ronwthor e tenta acertá-lo, mas ele desvia. Rapidamente, com o outro punho, desfere um soco certeiro, jogando Ronwthor contra o chão e quase o desacordando com o impacto. Ronwthor, sangrando e de joelhos, diz: — Você é realmente forte, meu amigo… não se entrega nunca! Ele cospe sangue no chão e continua: — Mas não vou te dar o gostinho de me ver cair agora. Não antes de eu pegar meu ouro com aquele velho desgraçado! Ronwthor então se ergue novamente, encarando Belchior com os olhos ardendo em ódio. — Vamos acabar logo com isso. Ou eu ou você vai sair vivo daqui!

Belchior procura sua espada e a empunha, preparado para dar o golpe final. Ronwthor também pega sua lâmina e parte para cima. Belchior começa a desviar dos ataques fatais daquela espada gigantesca, cuja lâmina cortava tudo ao redor. Ele sabia que um único deslize o faria perder membros para aquela arma insana. Não entendia como Ronwthor ainda tinha força para movimentar uma lâmina daquela com tanta rapidez. Ao hesitar por um segundo, Ronwthor o fere no peito com sua espada colossal. Belchior recua, perdendo muito sangue. O ferimento era profundo e, se não tratado, ele morreria ali mesmo. — Essa foi por pouco, hein? — diz Ronwthor, sorrindo, antes de partir novamente para o ataque. Belchior se agacha e, reunindo toda a força que ainda lhe restava, acerta Ronwthor na barriga, lançando-o para longe.

Com suas últimas forças, Belchior ergue a espada aos céus e grita: — Você vai morrer aqui e agora! Acabou, Ronwthor! A espada começa a brilhar intensamente. Belchior concentra nela suas últimas energias, ativando sua magia antiga. Raios descem dos céus e são absorvidos pela lâmina, intensificando ainda mais seu poder. A espada de Belchior concentrava mana e era capaz de cortar magia. Fora dada a ele muitos anos atrás por um antigo mago do Reino Mágico, seu amigo. Belchior aprendeu a usá-la com o tempo, mas ainda existiam muitos mistérios sobre aquela arma. Ao ver aquele poder, Ronwthor fica impressionado. Sempre soube que Belchior era um assassino fora do comum.

Belchior parte para cima de Ronwthor, correndo para executar o ataque final. O golpe que colocaria fim à tirania de Ronwthor. Ele se lembra da luta no Reino das Bestas, quando Zafiel foi extremamente ferida por aquele assassino. Naquele momento, Belchior decidira mudar de vida e apoiar aqueles que precisavam de ajuda. No fim, sempre podemos mudar e nos tornar pessoas melhores. Basta fazer uma escolha. Ronwthor, ao ver Belchior decidido, permanece de joelhos, como se já tivesse aceitado a derrota.

Quando Belchior está prestes a acertar o golpe final, um campo de força surge diante dele, protegendo Ronwthor do ataque fatal. Sem acreditar, Belchior olha e vê Elionor criando o campo de força. Ele recua rapidamente e baixa a espada, questionando: — O que está fazendo, Elionor? — Me deixe dar um fim nesse cara! Elionor responde com calma: — Se acalme, Belchior. Essa luta acabou. Eroim já foi embora e levou Zafiel e Zafir. Esse homem pode ser nosso prisioneiro até pensarmos em um plano. Ronwthor, ao ouvir aquilo, não acredita que Eroim o havia abandonado. — Maldito Eroim! — grita Belchior. — Esse cara não vai nos ajudar em nada! Se Eroim o abandonou, é porque é inútil para ele! Vamos matá-lo!

Belchior corre novamente para tentar o ataque fatal, mas é imobilizado por Elionor, que o desacorda e cura seu ferimento no peito. — Ele está nervoso — diz Elionor. — Dormir vai acalmá-lo um pouco. E você, assassino… temos planos. Ronwthor, de cabeça baixa, responde: — Planos? Não sirvo mais para nada, seu elfo desgraçado. Me mate logo! Elionor o encara nos olhos e percebe que ele realmente não queria mais viver. Havia perdido o sentido de tudo aquilo. Ainda assim, pensariam em um plano para ele.

Elionor o prende em um campo de força até decidirem o que fariam com ele. Antes de qualquer decisão, precisavam cuidar da floresta que ainda ardia em chamas. A batalha fora árdua e trouxe perdas. Nunca imaginaram que seriam atacados em seu próprio lar por Eroim. Agora, tudo poderia mudar.

Kyrli chega até eles e pergunta: — O que aconteceu com Belchior? Elionor responde: — Ele estava nervoso, senhor. Precisei imobilizá-lo. Não aceitou deixar esse assassino como refém. Ele pode ter informações preciosas para nós. Kyrli compreende e diz que precisam apagar as chamas da floresta o quanto antes. Ambos se concentram e, erguendo as mãos aos céus, fazem começar a chover por todo o reino. Uma magia divina chamada “Chuva da Esperança”, que poucos magos conseguem conjurar por se tratar de uma magia de alto nível. A chuva cessa o fogo, trazendo de volta a paz e a calmaria. O sol volta a brilhar forte, e os pássaros retornam.

Para finalizar, usam a magia “Florescer da Vida”, que devolve a vida às plantas e árvores queimadas. As árvores voltam a dar frutos, e a grama se torna verde e viva novamente. Um mago de alto nível não se mede apenas pelo caos que pode gerar, mas também pela vida que é capaz de devolver. Os animais retornam à floresta. Exaustos, os magos se sentam ao chão ao lado da lança de Clopem. Infelizmente, sua magia não poderia trazê-lo de volta. Mas ele sempre viveria em suas lembranças, pois deu a vida para ajudar os outros.

O Reino da Floresta sempre foi o lugar mais próspero para se viver. Ali havia amigos, fossem animais ou pessoas, além de comida e frutos em abundância. Tudo se encaixava perfeitamente. Clopem sempre protegeu aquelas terras. Conheceu o mago Kyrli, e depois Elionor foi adotado por ele. Tudo parecia estar em seu devido lugar. A bondade e a amizade os mantinham firmes, protegendo aquele lugar sagrado. Cada animal os respeitava por defendê-los de todo mal que vivia fora daquelas terras.

Os planos nem sempre saem como esperamos. A vida é um labirinto, uma trilha que nos leva a caminhos diferentes a cada escolha que fazemos. Às vezes o início é fácil e o fim é árduo. Outras vezes, o início é difícil e o fim é leve e tranquilo. A trilha sempre te leva para um único lugar: para onde você deve ir. Siga em frente. Não pare. Mesmo perdendo pessoas importantes. Mesmo enfrentando desafios. Siga sempre em frente.