Temporada 2 · Capítulo 1

O NASCIMENTO DE UMA NOVA RAINHA

Ainda quando Gaia estava viva no reino das fadas, ela se certificou de fazer a escolha certa de sua sucessora, cada detalhe era observado minuciosamente. O reino crescia bastante com a chegada de anões e híbridos, que se juntavam às fadas para morar também naquelas terras. Gaia tinha próxima de si Heliara (fada rainha dos tempos atuais), a fada das flores, e Celindra, a fada do sol. Ambas ficavam muito juntas a Gaia, sempre ajudando em tudo o que era preciso, pois havia muitas atividades no reino, como cuidar da comida, ajudar na construção das casas na árvore, treinamento de defesa, entre outros serviços. Gaia observava cada detalhe das duas, pois ser a fada rainha requer características importantes para o bem do próprio reino. As duas eram muito proativas. Heliara era calma, e tudo para ela precisava ser iniciado com uma conversa e planejamento, para depois iniciar o que precisava ser feito. Já Celindra era fervorosa, fazia tudo sem pensar muito, era da guerra, tomava decisões sem refletir muito. Todo dia Gaia sentava com elas para conversar e aprender mais a fundo sobre cada uma, seus planos futuros e o que gostariam de melhorar como fadas internamente. Um certo dia, ao sentar com ambas para descansar e conversar, Gaia as alertou sobre o mal que acelerava sua evolução por Arcânia. Ela sentia que vinha de todos os lados e que futuramente isso poderia ser perigoso para as fadas, pois ainda não sabiam do que se tratava, mas que precisavam estar prontas para o futuro, e a rainha das fadas mais ainda. Ela já tinha avisado a todos que o tempo dela estava por chegar ao fim e que uma nova rainha, antes dela partir, assumiria para ficar à frente do reino das fadas, cuidando e direcionando todo o povo que ali vivia, mas a escolha seria feita quando fosse a hora certa.

Na última noite que Gaia passava no reino das fadas, ela juntou todos à volta do grande salgueiro sagrado. Ali ela avisou a todos de sua partida e que deveriam seguir a sua sucessora, que seria escolhida no dia seguinte ao amanhecer, pois ela sentia que precisava partir. Depois de milhares de anos ali desempenhando seu papel como a fada mãe, suas forças já se esgotavam e, em seu coração, sabia que precisava voltar de onde havia emergido pela primeira vez. Mas que ela sempre estaria com todos em seus corações e que não precisavam ficar tristes, pois sempre há a hora certa para tudo nessa vida, seja para vitórias ou para perdas. Gaia reforça que o reino das fadas não é só um reino para tal raça, mas para todos que precisam de ajuda. O reino das fadas sempre estaria aberto a tratados de paz para manter o bem com todos que vivem fora dali, pois a guerra é algo que domina o coração dos ambiciosos. A lua estava linda naquela noite, as fadas cantavam e dançavam, homens tocavam instrumentos e anões seus tambores. Uma noite de festa, com todos aproveitando sua última noite com Gaia.

Heliara e Celindra conversavam à luz do luar, acima do salgueiro. — Sabe, nem consigo imaginar como será de amanhã para frente sem Gaia — disse Heliara. Celindra responde: — Vamos ser fortes, irmã, pois uma de nós terá muito trabalho duro para tocar esse reino! — As trevas crescem, e por isso entendo que o primeiro passo seja partirmos para conhecer os outros povos de Arcânia. Heliara logo responde: — Precisamos pensar primeiro em como trazer os povos em segurança para o nosso reino, antes de qualquer ação, é o que mais importa. — Pois temos muitos relatos dos que chegam de que estão tendo muitas mortes por Arcânia, por mortos-vivos, queimadas e também desaparecimentos em massa. — Isso não é normal, alguém está causando isso. Celindra, franzindo a sobrancelha, diz: — Entendo que a ajuda seja importante, mas acordos de paz podem trazer segurança ao nosso reino, caso contrário teremos que lutar por nossas vidas! Heliara responde: — Não penso em lutar, não acredito que seja algo que chegue a esse ponto. Você sempre pensa em guerrear, precisamos entender o que se passa primeiro, minha irmã. Celindra se levanta e fala: — Não vamos pensar em nada disso agora, pois quem irá tomar todas as iniciativas será a nova fada rainha escolhida. Gaia saberá fazer uma boa escolha.

Ela então sai voando, deixando Heliara sozinha. O silêncio da madrugada parecia mais profundo ali em cima, e o céu começava lentamente a clarear. Foi então que uma luz suave se aproximou. Gaia subiu voando até onde Heliara estava e se sentou ao seu lado, como tantas outras vezes havia feito ao longo dos anos. Gaia diz: — Olá, minha filha. — Sorriu ela, com um olhar sereno e cheio de carinho. Heliara logo responde, com o coração aquecido pela presença dela, feliz por ainda poder dividir aquele momento. Já era bem tarde, quase amanhecendo, e a brisa leve passava pelas folhas do salgueiro como se também quisesse ouvir aquela conversa. Gaia segurou delicadamente as mãos de Heliara e, com a voz calma, disse que já havia tomado sua decisão sobre sua sucessora. Contente, explicou que a própria natureza a guiou até a escolha certa, que cada gesto, cada atitude e cada palavra haviam mostrado o caminho. Então, com doçura, revelou que seria ela, Heliara, a fada das flores, a nova fada rainha do reino. Por um instante, o mundo pareceu parar. Heliara ficou sem reação. Seus olhos se encheram de lágrimas antes mesmo que pudesse responder. A emoção tomou conta de seu peito, e ela não conseguia acreditar que Gaia havia confiado a ela algo tão grandioso. Ser a guardiã daquele reino, de todas aquelas vidas, era uma honra e, ao mesmo tempo, um peso imenso. Ainda assim, em seu coração, prometeu silenciosamente que daria o seu melhor, que tentaria ser, ao menos um pouco, do que Gaia sempre foi para todos. Mas, junto com a alegria, veio o receio. O pensamento em Celindra apertou seu coração. Ela temia que a irmã pudesse se entristecer com a escolha. Gaia, percebendo sua inquietação, apertou suavemente suas mãos e disse para que não se preocupasse. Explicou que logo mais falaria com Celindra. Com um olhar cheio de significado, Gaia então pediu que Heliara começasse a se preparar, pois a cerimônia de sucessão deveria ser organizada ainda naquela manhã. O sol já nascia no horizonte, e com ele também nascia uma nova rainha.