Temporada 1 · Capítulo 12
ANGÚSTIA

No Reino das Fadas, todos ainda arrumavam a bagunça após a guerra das asas. Poucos feridos, muitos destroços. No centro do reino, a Rainha das Fadas observava o luar. Era uma noite fria e calma, mas que trazia consigo o peso da perda, a angústia tomava conta do coração da rainha. Antes mesmo que qualquer notícia chegasse, ela já sabia. Pela ligação que possuía com cada fada, sentiu a morte de Flix e Kirlyem. Não sabia onde ou por quem, mas sabia que suas energias mágicas haviam se apagado de Arcânia. Ela então chorava, em silêncio, sob a lua.
Mais à frente, ajudando o povo do Reino Mágico, Vermax e Viseryon conversavam. - Essa guerra é só o começo - disse Vermax. - Presinto isso. O ar mudou. As sombras crescem por toda parte. - Precisamos estar prontos - respondeu Veseryon. - Precisamos pedir paz. Nosso povo não é guerreiro retrucou Vermax! - Um tratado de paz não nos trará segurança - Disse Viseryon. - Pelo contrário, mostraria que estamos com medo. Precisamos resistir. As meninas foram fortalecer a trilha que enfraquecia na área dos vulcões. Devem trazer notícias. Viseryon assentiu com o olhar vazio. - Ainda bem que não estavam aqui… espero que estejam bem. Nenhum lugar em Arcânia parece seguro. Vermax respondeu: - Elas ficarão bem. São guerreiras. Mas a viagem até lá cansa qualquer um… deixa vulnerável. Mesmo assim, tudo ficará bem. Assim, mais pessoas poderão chegar ao nosso reino e se unir a nós.

De repente, a Fada Madrinha surgiu voando, trazendo uma notícia urgente: Todos deveriam se reunir abaixo do salgueiro sagrado, pois a Rainha tinha algo a comunicar. O povo se dirigiu para o local, tomado pela incerteza. A Rainha das Fadas os aguardava sob a árvore. Quando todos chegaram, começou a falar, a voz embargada, o olhar distante. - Meu povo… enfrentamos uma luta que não esperávamos. Não sabemos o que virá, mas precisamos estar prontos. Essa guerra foi apenas o início. Há anos vivemos em paz, mas agora o mal ronda nossos portões. Querem nos escravizar… Eroim quer poder. Seu reino cresce, e com ele, sua fome. Ele nos atacou porque recusamos suas exigências, e agora não vai parar. Ela fez uma pausa, respirando fundo. - A garota que trouxe sua mensagem não tinha mal no coração. Senti isso. Talvez o pedido de cessar-fogo fosse mentira… algo pior pode estar vindo. O povo murmurava em pânico. A rainha ergueu a mão, pedindo silêncio. - A partir de agora, ninguém deve sair das áreas protegidas pelos nossos guerreiros. Crocoss retorna amanhã, nosso guardião. Ficará nas fronteiras. Eu mesma erguerei um escudo mágico ao redor de todo o reino.

Fez uma breve pausa, e a voz fraquejou. - Tenho… outra notícia. Baixou a cabeça. As lágrimas caíram. - Flix e Kirlyem… não retornarão.Um silêncio pesado tomou conta da floresta. O vento parecia lamentar junto com eles. A rainha prosseguiu: - Foram em missão para fortalecer a trilha próxima às montanhas dos vulcões. A trilha estava enfraquecendo e precisava ser restaurada com magia. Mas… algo aconteceu. Senti uma presença maligna próxima delas. E então… tudo se apagou. Vermax e Viseryon desabaram. Ódio e dor se misturavam em seus olhos. Viseryon gritou: - Minha rainha! Permita-me ir até lá! Eu imploro! Flix e Kirlyem precisam ser vingadas! Ele chorava de joelhos, tremendo. Vermax o abraçou com força, tentando contê-lo. A Rainha respondeu, firme, mas com a voz tomada pela dor: - Vingança agora só trará mais perdas. Precisamos permanecer unidos. As meninas nos dariam forças para seguir. Não deixem que o caos se espalhe por Arcânia.

Respirou fundo e, erguendo o rosto, falou em tom de comando: - Meu povo, prestem atenção! Lutaremos por nossa paz e por aqueles que precisam. Fadas e elfos guerreiros, reforcem as fronteiras! Criaturas mágicas, fiquem de guarda! Usarei todo o meu poder para erguer um escudo ao redor do reino. - Protejam uns aos outros! Enquanto ela falava, o povo se dispersava. Os guerreiros tomaram suas posições. A Rainha então voou o mais alto do reino, e de lá, ergueu as mãos ao céus. Seu corpo começou a brilhar, emanando magia pura. Das nuvens, desceu uma luz intensa, um grande escudo cobriu o reino. O escudo se formava, pulsando como um coração vivo. Os céus se iluminaram, e as estrelas pareciam cantar em reverência.

Mas em outra parte de Arcânia… o frio dominava. No Reino dos Mortos, Hayblood voava em direção ao castelo do Ceifeiro. O céu estava escuro. Urubus e morcegos rasgavam o ar pesado. Ela pousou diante do trono de ossos. O Ceifeiro sorriu, sinistro. - Retornou, minha cara? - Sim, meu senhor. Trago notícias intrigantes. Eroim expandiu seu território. Ataca o Reino das Fadas em busca de alimento. Elas resistem. Uma elfa interferiu e impediu o avanço. O Reino das Chamas reforça suas fronteiras… e mata fadas que tentavam proteger a trilha. Parece que chegamos aos tempos de guerra. O medo se espalha por Arcânia, e com ele, o silêncio dos viajantes. O Ceifeiro riu, com voz grave: - Excelente. Já era hora. Eroim age por fome… e quanto mais ele conquista, mais alimenta o que virá. Mas isso nos serve. Quanto mais povo no reino dele, mais comida teremos. Ele logo se lembrará de nosso acordo e enviará o que nos é devido. Hayblood se curvou e partiu, desaparecendo nas sombras. Atrás dela, os mortos caminhavam em silêncio, protegendo o castelo do Ceifeiro, um reino sem vida, onde até o vento sussurrava em agonia.