Temporada 1 · Capítulo 11
FOGO E SANGUE

Abaixo do Reino da Floresta existia um lugar onde tudo queimava em chamas. Poucos ousavam atravessar aquelas terras, pois o calor era sufocante e vulcões entravam em erupção a todo instante. Aquele era o Reino das Chamas, governado pelo Senhor das Chamas, uma entidade cruel, isolada, que odiava tudo e todos. A única capaz de se aproximar dele era sua mensageira, uma mulher imune ao fogo, que caminhava entre o magma como se fosse ar. Ela havia trazido notícias sombrias: o ataque de Eroim ao Reino das Fadas e sua sede de expandir o domínio pelo restante de Arcânia. O Senhor das Chamas, sentado em seu trono feito de ossos de dragões petrificados, respondeu com voz rouca e profunda: - Escute... leve nossos exércitos de guerreiros flamejantes para fortalecer as fronteiras. - Será difícil tentarem algo contra nós, mas, se for o caso, farei Arcânia inteira queimar e os mares virarem lava. A Mensageira se curvou e respondeu: - Como desejar, meu rei. Nas profundezas do reino, as legiões de fogo marchavam em meio a rios de magma. Cada passo deixava rastros incandescentes no solo, enquanto as criaturas feitas de brasa empunhavam lanças ardentes, prontas para queimar qualquer forasteiro.

Próximo dali, duas fadas ajudavam animais a fugir das chamas que avançavam pela trilha. Eram Flix, a fada dos animais, e Kirlyem, a fada da terra. Tinham vindo do Reino das Fadas para fortalecer a Trilha com sua magia, mas foram surpreendidas pelo calor crescente e pelas rachaduras que se abriam sob seus pés. Flix, exausta, disse ofegante: - Kirlyem, precisamos descansar... não aguento mais. Kirlyem respondeu firme, mas preocupada: - Não é seguro. O calor está aumentando, a terra está tremendo... precisamos sair daqui antes que tudo desabe. Antes que pudessem reagir, uma trombeta ecoou, e das rachaduras surgiram cavaleiros em chamas, liderados pela Mensageira do Fogo, que os cercou com um sorriso cruel. - Ora, ora... o que temos aqui? - disse ela, com ironia.
Kirlyem ergueu as mãos e fez brotar duas enormes rochas, que foram arremessadas contra os cavaleiros, esmagando alguns. Restaram apenas a Mensageira e quatro guerreiros em brasas. As fadas tentaram fugir voando, mas uma bola de fogo lançada pela Mensageira atingiu-as em cheio. As chamas se ergueram ao redor delas, prendendo-as em um círculo infernal. Flix gritou: - Por favor! Piedade! A Mensageira gargalhou: - Piedade? Aqui, as fadas são torradas vivas! Kirlyem, ferida e furiosa, invocou espinhos de pedra do chão, atravessando os guerreiros e perfurando o braço da Mensageira. O chão se tingiu de sangue e fogo. Flix, à beira do desmaio, transferiu o pouco de sua energia mágica para Kirlyem, que, com as últimas forças, ergueu uma muralha de pedra separando-se da Mensageira e alçou voo, carregando a amiga nos braços. Mas não foram longe. À frente delas, o Senhor das Chamas apareceu imenso, envolto em fogo vivo. O ar parou. O vento cessou. O calor queimava até o ar que respiravam. Sua presença fazia o chão vibrar e as asas das fadas tremiam. Kirlyem gritou em desespero: - Por favor! Nosso reino não é inimigo! Nos deixe ir! Imploramos! Ele respondeu, com voz de trovão: - Ir? Vocês irão sim! Com um único gesto, o fogo as consumiu. O grito das fadas ecoou por todo o reino, até se perder entre o rugido dos vulcões. Suas asas se contorceram, suas peles derreteram, e o cheiro de carne queimada tomou o ar. O Senhor das Chamas observou impassível, enquanto a Mensageira, caída e ensanguentada, o olhava com medo pela primeira vez. O fogo rugia. O sangue fervia. E o Reino das Chamas permanecia soberano, banhado em fogo e morte.


