Temporada 1 · Capítulo 13

TRAIÇÃO

No salão do Reino dos Mortos o tempo fica frio, o ar gelado, e do teto começam a cair gotas de neve. Em frente ao trono do Ceifeiro, um portal glacial se abre, e de dentro dele alguém pequeno, voando, encapuzado, sai reverenciando o Ceifeiro. Com uma voz feminina, ela começa a falar: - Olá, senhor. Lamento aparecer assim em seu reino, mas já deve saber das notícias que correm por Arcânia. O Ceifeiro responde: - Sim, sim… mas o que te traz aqui? - disse ele, despreocupado. A encapuzada responde: - O Reino de Gelo pretende se movimentar, e não a favor do Reino Mágico, mas sim ao lado das fadas. Sabe que, se isso acontecer, os reinos maiores farão os menores sucumbirem. O seu não é tão grande, mas seu exército de mortos é o maior. Se o Reino de Gelo se unir às fadas, com certeza vai sobrar para vocês aqui. Então eu venho trazer uma possível solução para sairmos por cima. Curioso, o Ceifeiro pergunta: - Ora, então diga, minha cara, antes que notem sua falta. A encapuzada continua: - O Reino de Gelo é o que tem menos guerreiros de toda Arcânia. Eles não focam em lutas, porque é difícil alguém atacá-los, por conta das montanhas que deixam qualquer oponente em desvantagem. Dentro do reino há poucos guerreiros, afinal, é difícil viver no frio, mas eles se governam bem. Eu não ganho nada com isso, mas no passado, quando você queria um espião lá, eu me curvei ao senhor, com a promessa de que, se um dia eu morresse, me reviveria. Assim, eu seria imortal. Estou cansada de servir a Veylar, e, se eles ficarem ao lado do Reino das Fadas, enfraquecem todos os nossos aliados, meu senhor. O Ceifeiro ri de canto, já entendendo a intenção da misteriosa encapuzada. - O senhor terá minha ajuda para entrarem através do portal que posso criar na caverna próxima ao castelo de gelo. Dali, pode enviar seu exército de mortos, eles não resistirão. E então eu serei livre! O Ceifeiro pergunta: - Um bom plano esse seu… mas você tem poder para manter o portal aberto por tanto tempo? Ela responde: - Irei pegar um cristal de gelo mágico da Veylar. Uma vez ela me disse que esse cristal dá o dobro do poder para quem o usar, mas vive guardado. Vou usá-lo para manter o portal. Seu exército vai aniquilar todos! São fracos, meu senhor. Vamos acabar com o plano deles antes que seja tarde, riu ela, com coragem. O Ceifeiro sorri: - Eu ganharei um novo domínio, menos inimigos e mais alimentos. Não parece um plano ruim. Hayblood irá junto então, para sobrevoar e encontrar rapidamente o rei Morgot, que eu mesmo irei matar, lhê darei um sinal mental por conta da nossa ligação quando for a hora de abrir o portal. Ela então se curva e retorna ao portal, enquanto o Ceifeiro soltava uma risada terrível.

A alguns metros do Reino das Sombras, Eliet e Laiamus estavam chegando a cavalo. Laiamus diz: - Que lugar terrível… essa sensação de morte me faz querer sair correndo. Eliet responde: - E quem gostaria de ficar aqui? Esse é um dos reinos mais impossíveis de se viver. Já ouvi falar dos três dêmonios que comandam aqui. Precisamos tomar cuidado, dar o recado e sair logo. Eles concordam e chegam aos portões do Reino das Sombras, que se abrem rangendo com ferrugem, causando um som terrível e aterrorizante. Criaturas os observavam da escuridão, prontas para atacar a qualquer momento. Os dois entram em um campo aberto com três tronos ao centro, rodeados de fumaça negra. Assentados neles estavam os três comandantes daquele reino: Mirael, Toryel e Azazel, que já os aguardavam com sorrisos leves. Azazel diz: - Olá, forasteiros… que ventos os trazem aqui? Eliet responde com um pouco de medo na voz: - Olá, senhores - disse ela, curvando-se junto de Laiamus. - Viemos do Reino Mágico trazendo uma mensagem do senhor Eroim. Os três se entreolham, já sabendo do que se tratava. - Ele disse que precisa do favor que vocês devem a ele. Toryel responde, irritado: - Favor? Quanta insolência! Não devemos favor a ninguém. O que fizemos no passado foi um acordo, garotinha.

Eliet recua e responde, assustada: - Me perdoe, senhor… não usei as palavras certas… Toryel começa a avançar na direção dela, mas Azazel intervém: - Pare, Toryel. Deixe-a terminar a mensagem! - disse ela firmemente, fazendo-o voltar ao trono. - Prossiga, garota. Eliet continua: - Ele precisa que destruam a Trilha das Fadas que passa aqui perto. Vocês a destruindo, destruirão toda a trilha para trás, até o Berço de Gaia. Antes que terminasse, Mirael a interrompe: - Sim, sim, sabemos de tudo! Sabemos que ele atacou as fadas e blábláblá… Eroim quer o que foi acordado, e está correto. Nossa magia é a única capaz de destruir a trilha, então assim faremos.

Azazel e Toryel encaram Mirael com raiva, mas concordam. - Sim, meus irmãos - disse Azazel, não temos o que fazer. Se tem algo que temos é palavra. Então faremos isso, para que eles se resolvam logo. Azazel continua: - Certo, faremos… mas digam a ele que queremos uma reunião no futuro, para alinharmos os interesses de todos os reinos que têm acordo com ele. Obviamente, sem as fadas. Precisamos voltar a ter movimento por aqui para conseguirmos almas para nos alimentarmos, e ultimamente não passam tantos forasteiros. Laiamus responde: -Certo, daremos o recado, senhores! Azazel sorri, lambendo os lábios: - Obrigada, meus queridos, por trazerem esta mensagem. Eliet e Laiamus saem dali rapidamente, cavalgando o mais rápido possível, sem trocarem uma palavra.