Temporada 2 · Capítulo 22
O REI DE GELO CONTRA A MORTE

Após a explosão na caverna causada por Ded, fazendo tudo desabar e fechando o portal por onde passavam os mortos, o Ceifeiro caminhava com seu cavalo pelo pátio à frente do castelo de gelo quando sentiu que o portal havia se fechado. Mas não era só isso. Enfim, o Rei Morgot se apresentava diante dele. Em um piscar de olhos, o Rei do Gelo se materializou naquele lugar, ficando frente a frente com o Ceifeiro. A magia descomunal de Morgot fazia uma ventania percorrer todo o lugar, enquanto a pressão do ar aumentava cada vez mais. Seu olhar era frio e penetrante, algo que deixava até mesmo o Rei dos Mortos com um certo arrepio. Ceifeiro diz: — Aqui está então o rei deste lugar! Achei que tinha abandonado seu povo e fugido. Ele sorria na cara de Morgot, que o respondeu: — Eu jamais fugiria. Imagino que tenha ludibriado alguém do meu reino para conseguir uma passagem tão rápida assim para dentro dele. Mas não me surpreendi, pois todo ser humano é ambicioso em relação ao poder. Uma hora ou outra, isso aconteceria. — Você, o Rei dos Mortos, tem mesmo muita coragem em vir até os meus domínios, me desafiar e destruir o meu lar. Agora vou te mostrar por que ninguém vem aqui! Morgot olhou por um instante para a montanha atrás do Ceifeiro e sentiu a presença mágica de Ded desaparecer. Sentia também Veylar se aproximando com algo atrás dela. Ele precisava acabar com o Ceifeiro o quanto antes.

Morgot então usou seu feitiço “Guardiões Sagrados”, que criou enormes gigantes guerreiros de gelo. Eles começaram a destruir os mortos com facilidade. As criaturas de gelo eram fortes e aniquilavam os mortos rapidamente com sua força. O Ceifeiro apenas observava o poder de Morgot sem se mover, enquanto as criaturas de gelo avançavam contra os mortos, diminuindo bastante seus números. O poder de Morgot era tão forte que fazia até mesmo voltar a nevar naquele lugar. Ele era a própria fonte do frio eterno daquelas terras, e seu poder poderia congelar toda Arcânia. Algumas criaturas tentavam atingir o Ceifeiro, mas ele se desviava sobre seu cavalo. Parecia não estar se esforçando tanto no combate contra as criaturas de gelo.

Morgot avançava congelando os mortos. Às vezes, algum morto chegava perto dele e logo se congelava sozinho pelo tamanho de seu poder mágico. Era um rival à altura do Ceifeiro. Seus mortos não tinham a menor chance no combate contra ele, mas a questão era o número inesgotável dos que já estavam dentro do Reino de Gelo e agora tentavam destruir o que ainda restava do reino. Morgot seguia lançando seus raios mágicos e congelando todos, enquanto seus gigantes guerreiros de gelo também lutavam firmemente para diminuir o número de mortos. O Ceifeiro apenas os ignorava, desviando dos ataques. Então, o Ceifeiro deu alguns passos à frente, encarando Morgot nos olhos. Foi quando ergueu sua foice e correu a cavalo na direção de Morgot e dos gigantes de gelo. Ele estava pronto para lutar.

Ao se aproximar dos gigantes, acertava pontos letais com sua foice, fazendo com que eles se despedaçassem por completo. Um a um, o Ceifeiro destruiu seus gigantes com sua foice. De longe, Morgot observava aquele poder. Como poderia aquele ser conseguir saber exatamente onde estava o ponto vital de seus guerreiros de gelo? O Ceifeiro então correu na direção de Morgot, que desviou do ataque de sua foice por pouco. Então, o Ceifeiro se afastou novamente com seu cavalo, permitindo que mais mortos partissem para cima de Morgot. O Rei do Gelo partiu para uma luta corporal, transformando seus braços em foices de gelo e começando a arrancar a cabeça dos mortos facilmente com seus movimentos ágeis de batalha. Além de possuir uma magia elemental extremamente forte, sua habilidade em combate corpo a corpo era inigualável. Ele definitivamente estava pronto para tudo naquela luta.

Morgot correu um pouco, e as criaturas o perseguiram. Com um erguer das mãos, ativou seu feitiço em área, criando espinhos de gelo por todo o chão e matando instantaneamente todos os mortos de uma só vez. Em sua mente, Morgot tentava entender por que o Ceifeiro ainda estava evitando a batalha. Ele corria e deixava os mortos o cansarem primeiro. Provavelmente, queria que Morgot esgotasse sua energia mágica para agir de alguma outra forma. Mas Morgot, mesmo sabendo disso, seguia firme, matando um após o outro, sempre mantendo os olhos no Ceifeiro, que apenas observava a luta de longe. Morgot pensa: — Ele acha que não sei o que está fazendo, mas vou finalizar com essas criaturas e acabar com ele. Meu poder é interminável. Eu jamais vou perder para aquele esqueleto!

Morgot, já cansado de destruir mortos e mais mortos, pronunciou seu feitiço “Esferas”, que criou enormes bolas de gelo no céu. Ele então as lançou contra as criaturas, causando enormes estragos na área e matando todas. Seu poder era admirável e devastador. A força de qualquer um de seus feitiços era incrível. A sorte era que não havia inocentes ao redor, pois o campo de batalha estava completamente devastado. Ele sabia que precisava acabar logo com aquelas criaturas e focar apenas no Ceifeiro. Mas o problema era que elas não paravam de surgir. E, em um descuido, aqueles mortos poderiam causar problemas em uma luta direta contra o Ceifeiro, pois Morgot ainda não conhecia quais eram os verdadeiros poderes do Rei dos Mortos.

Morgot então decidiu pôr logo um fim àquilo. Ele energizou seu poder ao máximo e ergueu um enorme pilar de gelo, alto o suficiente para levá-lo até o ponto mais alto possível. Lá no topo, ergueu as mãos para o alto. Um zumbido foi escutado pelo Ceifeiro, e todos os mortos foram congelados instantaneamente. Todos ao redor de Morgot se congelaram e se despedaçaram por completo. O ar ficou mais tenso do que antes, e pelo ambiente os pedaços dos mortos congelados pairavam. Morgot deu um sorriso, encarando o Ceifeiro do alto. Então saltou em uma velocidade absurda em direção a ele e, ao cair, causou um impacto no chão, provocando um enorme estrondo. Ele caminhou até a frente do Ceifeiro e disse: — Hoje vocês irão se arrepender de terem entrado no meu reino!

O Ceifeiro moveu um de seus dedos, e Morgot o arremessou para trás, começando a congelá-lo. Vários espinhos de gelo atravessaram o corpo do Ceifeiro. Um ataque rápido e aparentemente eficaz. Com muita dificuldade, ele começou a se soltar dos espinhos de gelo, mas nenhum sangue saía de seu corpo. Era como se ele já estivesse morto. Morgot, ao reparar aquilo, levantou um olhar de preocupação e pensou: — Aparentemente, ele não sofreu danos significativos. Não sangrou nem mudou sua aparência. O que essa criatura é? Preciso destruí-lo de alguma outra forma. Não tem jeito. O Ceifeiro então sorriu e respondeu: — Acredito que tenha notado que não será qualquer coisa que poderá me parar. Você está longe de ser uma ameaça para o Rei dos Mortos! Eu já morri há milhares de anos. Hoje sou a morte em sua personificação e vou te levar para onde você merece! O ar assoviou. Ambos se encaravam. Agora, Morgot, sabendo disso, precisava encontrar o ponto fraco de seu inimigo para ter alguma chance.

Morgot não perdeu tempo e avançou contra o Ceifeiro no corpo a corpo. Suas mãos se expandiram e ficaram maiores, e ele disparou inúmeros golpes contra o Ceifeiro. O Ceifeiro desviava de alguns e era atingido por outros, mas se levantava rapidamente. Então, pegou sua foice e partiu para o contra-ataque. Sua agilidade era impressionante. Morgot tomava cuidado para não ser atingido, pois não sabia que efeito teria qualquer corte daquela criatura sobre seu corpo. Por isso, protegia-se com escudos de gelo, mas eles eram facilmente destruídos pela foice. Morgot tentava, de todas as formas, atingi-lo para desnorteá-lo. Acreditava que assim conseguiria tocá-lo para usar seu feitiço mais forte de congelamento, mas parecia impossível. Ele se movia rápido demais. Após tentar vários golpes sem conseguir, Morgot lançou vários raios mágicos de gelo, que foram cortados em dois pela foice, atingindo apenas as laterais e não o Ceifeiro. Já estava ficando sem alternativas. Era hora de usar seus feitiços mais fortes.

Ele então precisava usar tudo o que tinha. Usou espinhos de gelo que tentavam prender o Ceifeiro, mas ele os quebrava com facilidade. Porém, Morgot reparou que ele não fazia isso tão rapidamente. Então, criou novos espinhos, prendendo-o, e partiu para cima. Mas, quando o Ceifeiro percebeu que Morgot utilizaria aquele intervalo para tentar algo, fez dois mortos que estavam no chão puxarem-no, fazendo-o cair. O Ceifeiro então se soltou e tentou um ataque fatal com sua foice contra Morgot, que estava um pouco caído. Morgot tentou se proteger com um escudo de gelo criado por um de seus braços, mas o escudo foi destruído junto com o braço, causando uma enorme dor instantânea. Ele gemeu. O Ceifeiro chegou à sua frente, preparado para dar outro golpe, mas, de repente, todo o corpo de Morgot se despedaçou em pequenos pedaços de gelo pelo chão, deixando o Ceifeiro espantado. Em nenhum momento ele havia percebido que se tratava de um clone.

Então, do chão, surgiu Morgot, regenerando seu corpo diante do Ceifeiro e já o atingindo com um feitiço que o paralisou e começou a congelar seu corpo e os mortos ao seu redor. Paralisado e congelando, o Ceifeiro não conseguia se mover. Seus mortos ao redor também estavam congelados. Agora, ele parecia uma presa fácil para ser finalizado. Morgot então começou a destruir os mortos que estavam congelados à sua frente, avançando em direção ao Ceifeiro com ódio nos olhos. O Ceifeiro então pensou: — Não consigo me mover. Vou precisar usar minha técnica e acabar com esse cara. De repente, o ar ficou pesado. Um arrepio percorreu todo o corpo de Morgot. Ele sentiu como se a própria morte estivesse subindo do submundo. Aquele arrepio jamais havia sentido antes em sua vida. Morgot sentia que o Ceifeiro estava preparando algo e correu em sua direção para finalizá-lo de uma vez.

Então, ele viu sair do próprio corpo do Ceifeiro uma outra versão dele em forma de alma. Algo amedrontador e terrível. O corpo de Morgot paralisou, pois ele nunca havia imaginado a capacidade de alguém manipular talvez a própria alma. Ele não sabia exatamente o que estava acontecendo. Não entendia. E seu corpo não respondia. O Ceifeiro então respondeu em sua forma de alma completa: — Sinta-se honrado em me ver nessa forma. É a forma que eu levo aqueles cuja hora chegou. E agora vou selar o seu destino. Nunca alguém que me viu assim escapou. Ele soltou uma gargalhada que ecoou por todo o Reino de Gelo. Morgot, enquanto isso, seguia paralisado. Parecia estar com medo. Não sabia do que aquilo seria capaz. Será que o Rei do Reino de Gelo conseguiria vencer o Rei dos Mortos?