Temporada 2 · Capítulo 23
A QUEDA DO REINO DE GELO

Morgot, naquele estado estático, tentava tomar alguma atitude. O Ceifeiro então começou a caminhar em sua direção, enquanto Morgot não conseguia se mover, paralisado e amedrontado com aquela cena. Com muita força em seu pensamento, conseguiu erguer os braços e atirar um raio mágico congelante contra o Ceifeiro, que, por sinal, não foi atingido. O raio atravessava seu corpo sem causar nenhum tipo de dano. Era realmente um poder incrível, e Morgot não sabia do que ele agora era capaz naquela forma. Morgot tentava vários ataques, mas nenhum surtia efeito; todos o atravessavam. Morgot pensa: - O que é isso? Como vou derrotá-lo assim? É impossível! O Ceifeiro sorria diante do rosto perplexo de Morgot. Ele já estava certo de que nada poderia pará-lo naquela forma e avançava para cima de Morgot.

Então, ao chegar próximo de Morgot, sem que ele conseguisse se afastar, o Ceifeiro atingiu sua perna com a foice, fazendo-o cair imediatamente pela dor extrema que sentiu. Não era o caso de regenerar como havia feito com seu braço. Dessa vez, era diferente. Era como se tivesse atingido a própria alma de Morgot, fazendo com que sua perna escurecesse, como se literalmente aquela parte de seu corpo tivesse morrido. Morgot, caído, gritou de dor. Naquele momento, conseguiu sair do transe de paralisia causado pelo medo e agora sofria com aquela dor, sem conseguir mais mexer a perna. Morgot, sofrendo de dor, diz: - Desgraçado, o que é você? Minha perna... não consigo mexê-la. O Ceifeiro, sorrindo, o responde: - Eu cortei a vida da sua perna e agora vou cortar sua alma por inteira e acabar com isso. Eu já devastei um reino antes do seu, e agora todos saberão do meu poder. Nada poderá me impedir. Os que se escondiam atrás do meu poder também terão seu fim!

Morgot grita, respondendo: - Você nunca terá meu reino! Nem que seja a última coisa que eu faça, eu vou te matar! Então Morgot atira novos raios mágicos, que apenas atravessam o Ceifeiro. Depois, tenta congelá-lo, mas nada surtia efeito. O desespero começava a tomar conta de Morgot, que não conseguia fazer nada, nem mesmo se levantar. Ele tenta usar sua magia, que cria espinhos ao seu redor, mas o Ceifeiro passa através deles sem dificuldade. Ele então encara Morgot nos olhos e diz: - Acabou! Nada pode me impedir agora! Estica uma de suas mãos em direção a Morgot, que logo cria uma parede de gelo para tentar se defender. Porém, a mão atravessa a parede e entra em seu peito, atravessando-o e alcançando seu coração. Morgot sente suas forças se esvaindo. O Ceifeiro retira a mão e, imediatamente, o corpo de Morgot começa a escurecer, assim como sua perna. Morgot diz: - Realmente é como dizem... lutamos para proteger nossos amados, mas quem nos protege? Morgot então deixa cair algumas lágrimas e olha ao redor, observando seu reino destruído. Logo, pensa em sua amada Veylar.

Sua mente volta aos momentos felizes que viveu com Veylar. Os dois eram apaixonados e só queriam viver em paz, em um reino calmo e tranquilo, longe de tudo e de todos. Mas a guerra sempre chega quando existe a vontade de poder e domínio nos corações. Naquele momento em que Morgot perdia sua vida, Veylar, que se aproximava, sentia sua alma desaparecer. Sentia seu amado sumindo sem estar ao seu lado. O poder do mal estava vencendo o reino de gelo, e agora o rei do gelo desaparecia, deixando sua amada naquela terra dominada pelo mal. Veylar, sentindo também tudo aquilo em seu coração, apressava-se para chegar até ele. Não podia perdê-lo, jamais. Isso não poderia acontecer. Juntos, eles enfrentariam tudo e todos. A luta entre a morte e o rei de gelo estava no fim, e só restariam sombras naquele lugar.

Após todo o corpo de Morgot escurecer, ele olhou para o céu, cerrou os olhos e soltou um grito que estremeceu todo o lugar. Então, seu corpo começou a se quebrar em milhares de pedaços de gelo, que voavam pelos céus do reino entre os mortos. O rei de gelo havia enfim caído, e agora, em seu reino, apenas viveria a morte. O Ceifeiro então sorri com sua vitória e, ao ver que havia finalizado, retomou sua forma e fez seus mortos se espalharem e procurarem sobreviventes para exterminar o que ainda restava naquele lugar, pois agora ele reinaria ali até seus próximos passos. O Ceifeiro então sobe até uma pequena montanha de gelo e observa o novo reino conquistado, já pensando em seus próximos passos na guerra por domínio.

Com sua aura exalando sombras, ele ergueu sua foice e fez os mortos gritarem e correrem famintos pelo lugar. Um novo rei reinaria ali, e seria o rei dos mortos. O Ceifeiro estava ciente da aproximação da rainha Veylar, mas estava pronto para finalizá-la de uma vez e enfim selar sua vitória sobre o reino de gelo. Nada mais poderia pará-lo. Arcânia tremeria ao ouvir que o reino dos mortos agora havia se expandido e dominado outras terras. Aqueles que ouvissem sobre eles teriam medo e os respeitariam mais do que o reino mágico. Uma nova era surgiria, trazendo caos e morte por todo o povo de Arcânia. Quem seriam os próximos a encarar o poder da morte?

O Ceifeiro então sobe novamente em seu cavalo e, de repente, sua foice se parte em duas em um piscar de olhos. Um ar gelado corre à sua frente e, ao virar o rosto, vê a rainha Veylar em cima dos pedaços de Morgot, chorando com raiva, agachada, exalando magia e ódio. Logo atrás dela, Hayblood chega voando com uma nova leva de mortos-vivos que estavam atrás de Veylar. O Ceifeiro então se aproxima e diz: - Ora, então chegou o que faltava. Ainda bem que não precisei ir atrás de você! Hayblood responde: - Essa desgraçada fugiu de mim e não conseguimos pegá-la. Mas, pelo visto, o senhor já terminou com o rei deles. Disse ela, soltando uma gargalhada. Veylar então, exalando magia e ódio, tocando nos pedaços de Morgot, grita: - Eu vou matar vocês! Vou congelá-los por mil anos e depois quebrar pedacinho por pedacinho. Ninguém nunca vai saber quem vocês foram, eu juro!

Veylar então se levanta e, com ela, um redemoinho de vento mágico surge ao seu redor. Ela aumentava sua energia mágica ao máximo, encarando o Ceifeiro nos olhos e cerrando os dentes. A rainha de gelo estava pronta para enfrentá-lo! O Ceifeiro então pede para Hayblood deixar tudo com ele agora, pois Veylar havia quebrado sua foice e ela pagaria por isso. Veylar então começa a flutuar para o alto, e o chão abaixo dela começa a rachar. O vento se intensificava e chegava a ser cortante. A magia pairava pelo ar. O Ceifeiro e Hayblood olhavam chocados com tamanha força mágica, que crescia sem parar no corpo de Veylar. Ao chegar bem alto, Veylar então ergue suas duas mãos aos céus.

Com uma voz suave, ela pronuncia um feitiço poderoso chamado "Lua Mortal". Um barulho terrível é escutado e, entre suas mãos erguidas, cria-se uma enorme bola de gelo colossal, cheia de poder mágico. Todos, inclusive os mortos, observavam aquele poder se formando no alto. Veylar estava usando seu trunfo mortal para acabar com aqueles monstros que haviam invadido seu reino e matado pessoas que ela amava. Ela os mataria sem pena. Estava pronta para finalizar tudo ali, naquele instante. Veylar, gritando, diz: - Esse é o fim de vocês! Morram! Então, ela lança seu poder em direção a eles. O Ceifeiro e Hayblood não se movem do lugar e são atingidos. A enorme explosão desintegra os mortos, o lugar treme, e uma nuvem de fumaça cobre todo o ambiente. Veylar cai ao chão após lançar seu feitiço fatal contra todos. Suas forças haviam se esvaziado de seu corpo, pois aquele feitiço havia levado grande parte de sua magia. Então, ela cai sem forças ao chão. Aquele poder havia feito o chão rachar e uma enorme avalanche cair das montanhas ao fundo do castelo. Um poder descomunal que poderia ter colocado fim aos invasores.

Veylar, caída e desacordada, sente uma energia mágica estranha e começa a acordar aos poucos. Ao abrir os olhos, enxerga com dificuldade por causa da fumaça, mas vê que a Fada Polar a estava curando, sentada ao seu lado. Veylar chora, não contendo a emoção de vê-la viva. As duas se abraçam, e a Fada Polar segue curando os ferimentos de Veylar. Fada Polar diz: - Minha senhora, fique sentada. Estou recuperando suas forças e energia mágica. Não temos muito tempo. Ao fundo, ouvia-se o ranger de dentes e os gritos dos mortos, que se aproximavam com velocidade. Veylar responde: - Obrigada por tudo! Fico muito feliz que estejas viva. Consegui acabar com eles. Agora precisamos sair daqui. Aquelas criaturas se aproximam. A Fada Polar concorda, e as duas então sentem um calafrio percorrer seus corpos. Uma zombaria soa pelo lugar. Um gemido começa a surgir entre a fumaça. As duas observam para todos os lados, espantadas e com medo do que poderia ser.

De longe, avistam um brilho como se fosse um portal, e a voz do Ceifeiro começa a dizer: - Seu poder é incrível, tenho que concordar! Mas ninguém pode me matar. Prepare-se para se juntar ao seu rei! Um grito aumenta. Era Hayblood, que se regenerava nas sombras. Ela gritava de ódio e estava sedenta para matar Veylar. Veylar diz à Fada Polar: - Não pode ser! Não tem como eles terem sobrevivido ao meu feitiço! Fada Polar responde: - Isso é impossível! Não podemos vencê-los agora, minha senhora. Precisamos ir! Então, os mortos começam a cercá-las. Veylar rapidamente segura a Fada Polar em seus braços, e ambas começam a elevar suas magias para se protegerem. Os mortos não atacavam. Apenas as cercavam enquanto escutavam passos firmes se aproximando e o bater de asas. Hayblood e o Ceifeiro estavam vivos e agora partiriam para matá-las. Nenhuma das duas conseguia entender como haviam sobrevivido àquele feitiço, mas agora precisavam partir. Sabiam que não podiam detê-los naquele momento, pois estavam em seus limites. Os mortos então começam a avançar. A Fada Polar toma a frente e atira vários raios mágicos, destruindo-os antes que chegassem até elas. Veylar ainda estava com dificuldades para se erguer. Foi então que ela tomou uma atitude para salvar sua rainha em um último ato. Fada Polar diz: - Minha senhora! Viva. Mantenha vivo nosso reino. Volte com ajuda para tomar o que é nosso, mas não morra aqui. Nunca vou esquecê-la. Obrigada por tudo. Veylar, sem entender nada, foi tentar falar algo, mas foi rapidamente teleportada dali em um piscar de olhos.

A Fada Polar usava toda sua força mágica, mas não tinha poder suficiente. Foi então que Hayblood surgiu em sua frente e a atingiu com um soco mortal, arremessando-a contra o chão e apagando-a de vez. Os mortos logo correram para cima dela, devorando-a e levando sua vida. Então, os mortos correm por todo o reino de gelo à procura de Veylar ou de mais algum sobrevivente. Eles haviam dominado o lugar e levado o rei de gelo, mas Veylar permaneceria viva, e a Fada Polar seria lembrada por sua rainha para sempre. Um ato de amor por seus reis e sua terra. Pensando no futuro, a Fada Polar salvou a vida de sua rainha, pois ali já não conseguiriam vencer aquele mal. Agora, teriam que buscar ajuda fora das terras de gelo.

Ainda próxima do reino de gelo, Veylar apareceu perto da montanha, desorientada e muito triste. Rastejou e reuniu forças para se erguer. Olhou para trás e viu seu reino despencando. Esbravejou de ódio, agradeceu à Fada Polar pelo ato de salvá-la e prometeu voltar e reconstruir seu reino. Ela estava em seu limite: uma rainha sem seu rei, sem seu reino e sem seus amigos, traída e obrigada a deixar sua terra. Agora caminharia em busca de ajuda. Veylar permaneceu um tempo ali, chorando e se recuperando. Não conseguia aceitar a situação. Não conseguia aceitar a traição de Boreal e a perda de seu amado. Mas ela escuta alguns gritos e passos se aproximando. Não poderia lutar, pois estava no limite. Ela precisava fugir, mas também mal conseguia ficar em pé. Então, ativa sua magia de criação e dá vida à neve congelada, transformando-a em um lindo cavalo de gelo. Os passos se aproximavam rapidamente. Veylar então monta nele e parte dali.

O cavalo corria, e os mortos apareciam por todos os lados, fazendo com que ela tivesse que saltar sobre eles e correr o máximo que podia. Veylar consegue ganhar distância das criaturas e foge o mais rápido que podia. Estava determinada a sobreviver. Veylar pensa:
- Vou viver e vou voltar aqui para retomar nosso reino, Morgot! As fadas podem nos ajudar, são as mais próximas de nós! Preciso chegar até elas o quanto antes.
Então, parte rumo ao reino das fadas, deixando o reino de gelo. Sua caminhada não seria fácil, mas ela estava decidida e iria enfrentar o que fosse preciso. Deixando seu reino com a esperança de conseguir ajuda e retornar um dia para retomar seu lar.

Próximo ao castelo de gelo destruído, o Ceifeiro se aproxima de Hayblood e diz:- Parece que ela fugiu, mas não vale a pena segui-la. Ainda vamos revê-la! Hayblood responde com raiva: - Aquela desgraçada, eu juro que vou matá-la! Então, o Ceifeiro conserta sua foice mágica, e os dois avistam alguém descendo voando na frente deles. Era Boreal, que conseguiu sair a tempo da caverna por um portal mágico. Ela pousa na frente deles e reverencia o Ceifeiro. - Meu senhor! Infelizmente, aquele velho destruiu a caverna, fechando o nosso portal. Lamento, mas vejo que por aqui conseguiram matar os reis! O Ceifeiro então a responde: - Matei o rei, porém sua rainha permanece viva. Ela fugiu. Mas não se preocupe, nós a veremos de novo em breve. Aquele poder dela me obrigou a me esconder no submundo dos mortos. Se não fosse isso, eu, estando em estado de carne, morreria com aquele feitiço. Hayblood diz: - Você cumpriu seu papel. Que bom que não morreu. Sorriu ela ao finalizar. Os três conversaram sobre seus planos futuros e quais seriam os próximos passos. Agora, o reino de gelo estava dominado pela morte. O Ceifeiro faria ali seu império até decidirem os próximos passos de sua conquista. A neve havia cessado, e o gelo derretia aos poucos. O início de um novo tempo daquelas terras havia começado. Quem poderia parar o reino dos mortos agora? Para onde a morte se voltaria agora?