Temporada 2 · Capítulo 18

A RAINHA DAS FADAS ENTRA EM AÇÃO

O Reino das Fadas já não era mais o mesmo... e será que algum dia voltaria a ser? A destruição e as chamas eram vistas por toda parte. Os poucos sobreviventes lutavam por suas vidas, fugiam, gritavam e imploravam por ajuda. Poucas fadas guerreiras ainda lutavam e resistiam, mas logo eram mortas pelas bestas que, por sorte, também já estavam chegando aos seus limites. Após a luta contra Crocoss, a grande maioria havia sido destruída. Algumas ainda estavam espalhadas pelo reino, enquanto a maior parte das restantes permanecia próximo de Haygor. O pequeno castelo desmoronava aos poucos, enterrando lá dentro os poucos sobreviventes que ainda se escondiam. As bestas não tinham misericórdia. Era o caos e a morte tomando conta de todos os cantos do Reino das Fadas. O poder daquelas criaturas era nítido. Nunca se imaginou que o Reino das Bestas fosse tão populoso e possuísse tantas criaturas. Nunca haviam sido levadas em consideração pelos outros reinos, mas Eroim soube aproveitar o potencial daquelas criaturas e os acordos feitos com elas.

Quando o salgueiro estava em chamas, Heliara o observou de longe e chorou. Ela não podia ir até lá, pois estava ajudando seu povo do outro lado do reino. Sabia que a missão que havia dado a Viseryon tinha falhado, não por culpa dele, mas porque assim deveria ser pelas obras do destino. Mas a dor que sentia não podia ser negada. O salgueiro sagrado era o coração do reino, e dele emergiam novas fadas através de seus casulos em determinada época do ano. No passado, Gaia havia contado a Heliara que, se um dia o salgueiro morresse, somente a rainha poderia trazê-lo de volta, gerando uma semente mágica através de sua magia. Por isso, Heliara sabia que não podia morrer ali. Era seu dever gerar aquela semente no futuro para a restauração do reino. Ela então seguiu em frente, destruindo toda besta que surgia em seu caminho. Havia fúria em seu olhar e nenhuma piedade, pois seu povo estava sendo massacrado por aquelas criaturas e, de sua parte, não haveria mais misericórdia.

Após ajudar várias fadas, Heliara seguiu em frente procurando pelo comandante daquele exército. Ela caminhava pela floresta que já não parecia mais uma floresta, mas sim um lugar tomado pelas chamas e coberto por um chão de cinzas. À sua frente, um pequeno exército de minotauros surgiu e, com apenas uma das mãos, Heliara fez todos se desintegrarem por completo em um simples estalar de dedos. Sua força agora seria essencial para acabar com as criaturas restantes e com seu comandante. Ela caminhava, caminhava e caminhava, aniquilando cada besta que encontrava, enquanto seu poder crescia cada vez mais. Heliara só queria que tudo aquilo acabasse de uma vez. Queria que seu povo que ainda estava vivo sobrevivesse, pois estava cumprindo seu papel como rainha e fazendo tudo o que estava ao seu alcance. Algumas bestas surgiam dos céus, mas Heliara as fazia cair aos seus pés. Logo, as raízes do próprio lugar se erguiam e atravessavam seus corpos, matando-as. Era como se a própria floresta ainda protegesse sua rainha.

Heliara sentia que o guardião estava morto. Também conseguia sentir outras fadas ainda vivas e tentava se comunicar com elas através de uma conexão mental, pedindo para que todas recuassem para a praia o quanto antes. Elas não deveriam continuar lutando. Deveriam recuar. Ela também sentia algumas energias mágicas diferentes espalhadas pelo reino, mas não sabia exatamente o que eram. Através de sua conexão, Heliara também tentava encontrar Vermax, que estava próximo dela, para que ambos permanecessem juntos e encontrassem Haygor o quanto antes. As fadas que se conectavam com Heliara eram guiadas por caminhos seguros até a praia. A magia de conexão fazia com que as criaturas escutassem a voz da rainha e, através de seus próprios olhos, enxergassem um caminho brilhante. Tudo o que precisavam fazer era segui-lo. A Rainha das Fadas estava com seu povo e usaria todo o seu poder para salvá-lo. Heliara, parada debaixo de algumas raízes, sentiu o chão tremer. Mais bestas trotavam em sua direção, e ela se preparou, energizando seu poder.

Com o erguer de uma de suas mãos, Heliara fez as raízes secas saírem do chão e se enrolarem nas bestas, espremendo-as até a morte. Porém, deixou uma delas ainda viva. Heliara se aproximou e tocou a testa da criatura. Naquele instante, teve uma visão de onde Haygor estava. Então, finalizou a besta. Outras chegaram, e Heliara pronunciou antigas palavras mágicas, fazendo com que todas se transformassem em borboletas. Em seguida, continuou caminhando e destruindo mais e mais bestas pelo caminho. Até encontrar Vermax caído e desacordado embaixo de uma árvore. Ele estava vivo, apenas inconsciente. Heliara então o curou, fazendo com que despertasse. Os olhos de Vermax brilharam ao ver sua rainha diante dele. — Minha rainha! É bom vê-la, minha senhora. Achei que eu estivesse morto — disse ele, abaixando a cabeça. Heliara tocou seu rosto e respondeu: — Não se preocupe. Tudo o que podia ser feito foi feito! É hora de cuidarmos daqueles que ainda estão vivos e feridos. Mas irei ao encontro do comandante dessas criaturas. Ajude quantos puder, e irei logo em seguida. Vermax retrucou. Não deixaria sua rainha ir sozinha e acabou convencendo-a a deixá-lo acompanhá-la para derrotar o comandante das bestas, que, por sinal, estava bem perto deles com seu enorme dragão.

Vermax e Heliara seguiram em frente, destruindo várias bestas que cruzavam seu caminho. Ele usava sua espada encantada, que rasgava seus inimigos, enquanto Heliara os transformava em borboletas ou fazia com que fossem espremidos pelas raízes até a morte. Seus corpos começavam a manifestar o cansaço e o esgotamento mágico, mas nada poderia pará-los. Estavam próximos de Haygor e já podiam ouvir o rugido do dragão. Vermax disse: — Parece que restam poucas dessas criaturas! Heliara respondeu: — Crocoss aniquilou boa parte. Agora só precisamos chegar logo ao comandante delas e acabar com isso. Mas ainda me preocupo, porque senti uma energia mágica espalhada por aqui, como se houvesse seres poderosos fazendo alguma coisa. Vermax então respondeu: — O que poderia ser? Ajuda de outro reino? Heliara disse não saber, mas afirmou que precisavam ficar atentos. Os dois então voaram mais rápido e mais baixo.

Ao chegarem próximos de Haygor, inúmeras bestas e grandes minotauros estavam aguardando por eles. Vermax fundiu sua magia à espada e, com um único corte veloz, cortou todos ao meio. No céu, algumas bestas desciam rapidamente em sua direção. Ele então voou alto e também as cortou em uma velocidade impressionante. Heliara viu mais bestas se aproximando e pediu para que Vermax cuidasse delas, pois escutava gritos vindos detrás das pedras e partiu naquela direção. Vermax guardou sua espada, pronunciou palavras mágicas e disparou inúmeros raios contra as bestas, destruindo-as. Porém, em suas costas surgiu um minotauro, que o acertou com uma martelada e o lançou contra o chão. O minotauro correu em sua direção, mas logo perdeu os braços com um rápido ataque da espada de Vermax, fazendo a criatura cair de joelhos. Vermax disse: — Acabou para vocês, seus demônios! Ele então arrancou a cabeça do minotauro e saiu correndo atrás de Heliara.

Duas fadas estavam prestes a ser queimadas pelo fogo do dragão de Haygor quando um rastro de vida surgiu pelo caminho, fazendo flores e grama nascerem no chão por onde passava. Era Heliara. Ela chegou e criou um escudo mágico, protegendo as duas fadas das chamas mortais do enorme dragão. Faíscas e fogo voaram para todos os lados, enquanto as duas observavam sua rainha protegendo-as. Seus olhos brilhavam. Heliara olhou para as duas, mantendo o escudo firme, e disse: — Saiam daqui, minhas filhas. Sigam o caminho brilhante que agora enxergam e estarão salvas. As duas então se levantaram e saíram correndo dali para se salvar, enquanto Heliara permanecia firme com o escudo, olhando diretamente nos olhos de Haygor, enquanto seu dragão furioso jorrava chamas destruidoras. O dragão então levantou voo até o alto e mergulhou contra o escudo, tentando destruí-lo com suas garras afiadas, mas nada aconteceu. Haygor apertou as rédeas do dragão e pousou. Ele observava Heliara de longe, com ódio em seus olhos. O ambiente ficou mudo, e o ar tornou-se tenso. Faíscas mágicas saltavam por todos os lados, enquanto o dragão salivava e se preparava. Enfim, havia chegado o momento da batalha entre o comandante do Reino das Bestas e a Rainha das Fadas. Ambos dariam tudo de si naquela batalha. Heliara pensou: — Então é esse ser que comanda as bestas... Meu corpo se arrepia. Mas há algo nele que me faz sentir pena. Não sei dizer exatamente o que é. Mas darei um fim nisso agora! Haygor pensou: — Essa então é a Rainha das Fadas... ou melhor, a segunda Rainha das Fadas. Posso morrer em um piscar de olhos, mas vou levá-la comigo. Meu poder híbrido de transmutação e superforça vai ajudar muito nessa luta.

Heliara então caminhava ao redor do dragão, observando calmamente cada detalhe, enquanto a criatura rugia e fazia tudo estremecer. Por onde ela passava, a grama surgia e as plantas se erguiam. Era a Rainha das Fadas dando vida a tudo ao seu redor. Haygor sentia a monstruosa energia mágica dela e sabia que Heliara se preparava para usar sua força total contra ele. Haygor pensou: — Minhas bestas já dominaram todo este reino, mas só resta agora a linha de combate final. As que estão espalhadas precisam vir para cá, caso eu não consiga cumprir com meu dever de matar essa fadinha. Então o dragão soltou um novo rugido, causando uma enorme onda de vento no lugar e fazendo Heliara recuar um pouco. Ela pensou: — Esse rugido... só pode estar chamando as bestas que restaram para cá. Preciso acabar logo com isso. Haygor disse: — Parece que enfim nos conhecemos, Rainha das Fadas! É uma honra. Hoje seu reino caiu, e aqui será meu novo domínio. Por anos nunca saímos do Reino das Bestas, mas hoje conquistamos novas terras e seremos respeitados em toda Arcânia por tal conquista. — Renda-se a mim, e a manterei como escrava. Não a matarei. Heliara franziu as sobrancelhas ao ouvi-lo, e sua energia mágica começou a escapar de seu corpo, fazendo seus cabelos voarem. Seu corpo parecia explodir em magia pura. Haygor sentia aquela pressão. O ambiente ficava pesado e tomado pelo poder.

Heliara então se aproximou. Ficou frente a frente com o dragão e o encarou nos olhos. Heliara disse: — Nunca gostei de ferir criaturas mágicas, e os dragões são a pura magia antiga. Você se esconde atrás dele. Afinal, qual é o seu nome, comandante das bestas? Haygor sorriu, dando algumas gargalhadas, e respondeu: — Me chamo Haygor. Esse será o último nome que vai escutar antes de morrer, sua fadinha. Eu não me escondo atrás do meu dragão. Eu o conquistei, e hoje ele me serve. Heliara disse: — Entendo. Eu me chamo Heliara e sou a sucessora de Gaia, a Fada Mãe. Hoje peço perdão por ter que ferir uma criatura mágica, mas assim é o presente, e nada podemos fazer para fugir dele. Hoje vou selar você, Haygor, e proteger o meu povo. Haygor gargalhava sobre seu dragão, que começava a salivar enquanto se preparava para o ataque. Heliara, diante dele, energizava sua magia ao máximo.