Temporada 2 · Capítulo 14

A QUEDA DO SALGUEIRO SAGRADO

No Reino das Fadas, a batalha avançava pelas terras verdes, transformando-as em um imenso campo cinzento de destruição. O fogo consumia árvores e plantas, enquanto o céu desaparecia sob uma espessa fumaça escura. Acima do Salgueiro Sagrado, Acer estava presa pelo pescoço nas garras de uma criatura. Sua vida se esvaía a cada segundo, e as garras monstruosas já ameaçavam rasgar sua garganta. Antes que Acer perdesse a consciência, Viseryon surgiu em um mergulho veloz e segurou um dos braços da criatura, que imediatamente o agarrou com a outra mão. Viseryon fazia toda a força que podia para libertar Acer, mas a criatura era monstruosamente forte. A fumaça negra tornava o ar pesado e dificultava até mesmo respirar. Sem demonstrar esforço, a besta apertava ainda mais o pescoço da fada. — Viseryon...! — Acer gritou, desesperada. Com um rugido, Viseryon acertou um poderoso soco no rosto da criatura, fazendo-a cambalear por um instante. Ainda assim, ela se recusava a soltar Acer.

Sem perder mais tempo, Viseryon abriu a boca e lançou um intenso jato de fogo. As chamas envolveram a criatura, que urrava em agonia enquanto finalmente soltava Acer. Ela começou a despencar dos céus envolta em fogo. Viseryon segurou Acer nos braços antes que ela caísse. — Obrigada... Achei que fosse morrer... — disse ela, respirando com dificuldade. — Mas... e o Salgueiro? Viseryon olhou para baixo. — Eu não podia te abandonar. Agora precisamos descer e protegê-lo antes que seja tarde. Acer respirou fundo. — Precisamos de ajuda... Sozinhos não vamos conseguir. As fadas guerreiras estão mais à frente, mas as bestas já romperam as linhas de defesa. Ela abaixou a cabeça. — Assim... nós não vamos vencer. Viseryon a abraçou com firmeza. — Então vamos resistir o máximo que conseguirmos. Os dois bateram as asas e desceram rapidamente em direção ao Salgueiro.

Quando atravessaram a camada de fumaça, seus corações congelaram. O Salgueiro Sagrado estava em chamas. Dezenas de bestas voadoras lançavam fogo sobre seus galhos ancestrais. A cena deixou Viseryon e Acer imóveis por um instante. Era tarde demais. O pânico dominava seus pensamentos. Seus corpos pareciam incapazes de reagir diante daquilo que juraram proteger. Foi a fúria que despertou Viseryon. Ele soltou Acer e mergulhou contra as criaturas, destruindo-as com punhos e garras. Acer pousou no chão e ergueu ambas as mãos. Espinhos gigantes brotaram da terra, atravessando diversas bestas de uma só vez. Os dois entregavam tudo o que ainda restava de magia em seus corpos. Então um pesado trotar fez a terra tremer. Ao longe surgiam enormes bestas-búfalos, correndo em disparada diretamente contra o Salgueiro. Viseryon avançou para enfrentá-las. Os golpes das correntes e dos punhos das criaturas atingiam seu corpo sem parar, mas ele sempre voltava a se levantar. Em seus olhos havia apenas determinação.

A batalha tomou um rumo impossível. Eles não conseguiriam vencer. Acer foi atingida por sucessivos golpes e arremessada para longe. Quando tentou levantar voo, foi imediatamente abatida pelas criaturas. Era como se as bestas brincassem com eles, percebendo que ambos já haviam chegado ao limite. "Não tem mais como...", pensou Acer. "Nós vamos morrer aqui." Ela caminhou cambaleando alguns passos antes de cair de joelhos. Uma das criaturas voltou a segurá-la pelo pescoço e aproximou lentamente sua enorme boca repleta de presas afiadas. Ao fundo, Viseryon sequer percebeu. Ele lutava desesperadamente pela própria sobrevivência. Acer já não resistia. Ergueu os olhos para o céu coberto pela fumaça. As lágrimas escorriam silenciosas enquanto inúmeras lembranças atravessavam seu coração.

De repente... Um intenso clarão cruzou diante de Acer. No instante seguinte, ela caiu no chão. O braço da criatura ainda permanecia preso ao seu pescoço... mas separado do corpo. Ao redor, as bestas começaram simplesmente a tombar uma após outra, libertando Viseryon do cerco. Entre eles estavam duas figuras envoltas por uma suave luz dourada. Lunara e Aurelion, Cavaleiros Celestiais. Lunara aproximou-se de Acer e estendeu delicadamente a mão. — Fique tranquila... Viemos ajudá-los. O Reino Celestial nos enviou. Venha conosco. Ao mesmo tempo, Aurelion ofereceu a mão a Viseryon. — Estamos ao lado de vocês. Levante-se... deixe-me ajudá-lo. Ainda confuso, Viseryon aceitou. Nunca havia ouvido falar daquele reino. Acer respirava com dificuldade. — Muito obrigada... Achei que aquele seria o meu fim. Não tenho forças nem para lançar outro feitiço... Viseryon a abraçou. — Me perdoe... Eu não consegui te proteger. Lunara então ergueu o olhar. Novas criaturas estavam se aproximando. Aurelion colocou a mão sobre Viseryon e Acer. Uma energia dourada percorreu seus corpos, restaurando parte de suas forças mágicas. — Não podemos permanecer aqui — disse Lunara. — Vamos eliminar os que estão chegando e partir imediatamente. Ela apontou para o horizonte. — Nosso barco está na praia. Acer e Viseryon trocaram um olhar. Em silêncio, concordaram.

A nova onda de bestas chegou. Aurelion avançou como um raio. Sua espada descrevia movimentos perfeitos, decapitando várias criaturas antes mesmo que conseguissem atacar. Lunara atravessava outras com golpes rápidos e precisos. Fortalecidos pela magia de Aurelion, Viseryon e Acer destruíram todas as restantes. Pequenas borboletas luminosas pousavam sobre os ombros de Aurelion, envolvendo-o em um brilho mágico. Ele sorriu. — Minhas filhas já sentiram outra leva se aproximando. Não podemos ficar aqui. Viseryon olhou para trás. — E os outros? Lunara respondeu com serenidade. — Não se preocupem. Viemos com outros guerreiros do Reino Celestial. Eles estão espalhados por todo o reino ajudando quem puderem. Ela estendeu a mão. — Agora precisamos partir. Acer olhou uma última vez ao redor. Cada canto daquele reino trazia lembranças de sua vida. Ela não sabia quantos amigos ainda estavam vivos. Mesmo assim... Sentia que aquele era o único caminho possível.

Viseryon aproximou-se de Acer. — Nos deem apenas um momento. Os dois levantaram voo e permaneceram em silêncio diante do Salgueiro. Restavam apenas galhos negros sendo consumidos pelas chamas. Viseryon falou com a voz embargada. — Fizemos tudo o que podíamos. Gaia sabe disso... Ele segurou sua mão. — Mas agora... precisamos partir. Acer já não conseguia conter o choro. Ela se refugiou nos braços de Viseryon. Lá embaixo, Lunara e Aurelion permaneciam atentos, vigiando qualquer aproximação. Aurelion suspirou. — É difícil abandonar o próprio lar... Eu os entendo. Lunara abaixou a cabeça. — Às vezes me pergunto por que não fomos enviados antes... Ela apertou os punhos. — Talvez tudo pudesse ter sido diferente. Nossa rainha já sabia do ataque... Aurelion olhou para ela. — Não questione nossa rainha. Seu olhar permaneceu firme. — Tenho certeza de que ela possui seus motivos.

De repente, novas bestas cercaram Lunara e Aurelion. Do alto, Acer e Viseryon mergulharam imediatamente para ajudá-los. Os quatro lutavam como um só. Viseryon despedaçava criaturas com os próprios punhos. Acer fazia espinhos atravessarem o solo e perfurarem os monstros. Lunara cortava inimigos ao meio com movimentos elegantes. Aurelion saltava sobre as criaturas espalhando um misterioso pólen venenoso que fazia seus corpos desmoronarem rapidamente. Logo outras bestas surgiram pelos céus. Então asas semelhantes às de uma magnífica borboleta brotaram das costas de Aurelion. Ele voou em direção às criaturas e, em poucos instantes, todas caíram derrotadas. Acer e Viseryon observavam maravilhados. Jamais haviam visto alguém lutar daquela maneira. Lunara aproximou-se deles. — Chegou a hora. Ela olhou para o mar. — Precisamos partir agora. Os dois assentiram. Antes de irem embora, tocaram a terra do Reino das Fadas pela última vez, despedindo-se silenciosamente de seu lar.

Aurelion tomou a dianteira. — Viseryon, abra caminho até o mar. Lunara levará Acer. Eu protegerei nossa retaguarda. Sem perder tempo, todos partiram. Lunara carregou Acer nos braços. Sempre que uma criatura surgia à frente, Viseryon a destruía imediatamente. As que atacavam pelos lados eram eliminadas pela espada de Aurelion. A floresta inteira ardia. Eles avançavam com cuidado, atentos a cada sombra. Enquanto voava à frente, Viseryon via cenas que rasgavam seu coração. Fadas mortas. Outras sendo devoradas vivas. Casas nas árvores reduzidas às chamas. Gritos de desespero ecoavam por toda parte. Era o verdadeiro terror. Mesmo assim... Precisavam seguir. Não venceriam aquela guerra naquele dia. Mas Viseryon fez uma promessa silenciosa. Um dia... Eles voltariam.

Finalmente avistaram o mar. Algumas bestas já ocupavam a faixa de areia. Percebendo o cansaço de Viseryon, Aurelion abriu suas asas e avançou primeiro, eliminando todas elas. O enorme barco do Reino Celestial aguardava ancorado. Lunara sorriu com alívio. — Chegamos. Ela olhou para o horizonte. — Agora só precisamos esperar os demais. Lá dentro será mais seguro. Apontou para Aurelion. — Ele ficará de guarda na praia. Nenhuma criatura alcançará esta embarcação. Viseryon pegou Acer novamente nos braços. Os três embarcaram. Do convés, olharam uma última vez para o Reino das Fadas. Tudo queimava. O céu estava completamente tomado pela fumaça. Os dois sentaram-se no chão do barco e permaneceram em silêncio, apoiados um no outro. Lunara observava o horizonte. "Tudo isso... por causa de um homem que só deseja poder..." Ela fechou os olhos por um instante. "Mas... o que me garante que nossa rainha também não busca o mesmo?" O Reino das Fadas ardia em chamas. Com a destruição do Salgueiro Sagrado, ninguém podia imaginar qual seria o futuro daquele povo. Enquanto isso, Heliara seguia atravessando o fogo para salvar o maior número possível de fadas. Salvar seu povo era sua única prioridade.