Temporada 1 · Capítulo 8
O ENCONTRO DE ASSASSINOS

Belchior seguia pela trilha, atento a cada ruído. Desde que deixara Zafiel sentia alguém o perseguindo. Então empunhou sua espada, aquela a lâmina brilhava em azul quando pronta para cortar magia - e gritou: - Saia da moita, quem quer que seja! Da sombra surgiu Zafiel, com um sorriso de canto. - Uau - disse ela - você é melhor do que eu imaginava. Nunca pensei que me notaria. Belchior arregalou os olhos. - Por que está me seguindo? - Deixei você chegar até aqui porque queria ver o que faria - respondeu Zafiel. - Mas cansei. Ela suspirou e foi direta: - Fui deserdada e estou sem rumo. Você tem muita experiência, e eu poderia aprender mais com você. Posso fazer missões por ouro ao seu lado? Não tenho muito o que fazer agora. Belchior hesitou. - Meu Deus… se andar comigo, vou me complicar com Eroim. Zafiel riu. - Você acabou de liderar um grupo de assassinos e magos do Reino Mágico para atacar o Reino das Fadas. Acha que eu vou ser um problema maior que isso? - Eu só me meto em encrenca quando faço serviço para o Reino Mágico - admitiu Belchior. - Você pode vir comigo, mas estamos em época de caça nas terras do Reino das Bestas. Dá para capturar criaturas raras lá e vender nos vilarejos. Ótima forma de ganhar ouro. - Vai me levar para caçar animais? - perguntou ela. - Não são simples animais - respondeu ele. - Lá pegamos porcos alados, vacas selvagens… Isso nos salva da fome. - Ok - concordou Zafiel.

- Mas, só para deixar claro: não mato inocentes nem roubo dos pobres. - Garota, você acha que eu tenho cara de fazer isso? - retrucou Belchior. - Só aceito trabalhos que não ferem minha integridade. Zafiel apontou a contradição: - Então atacar e saquear um reino pacífico não feriu sua integridade quando você não procurou entender a missão antes de ir? Belchior, contrariado, baixou a voz: - Você tem razão. - Eu não pensei muito… mas sabe por quê? Não moro num castelo com comida farta como vocês. Preciso sobreviver. Agora penso que errei, e não fará mais sentido repetir. Não sou um assassino de inocentes, nem uma má pessoa. - Se você diz - respondeu ela. - Vamos logo; anoitece em breve. - E quem disse que você decide? - bufou Belchior, e seguiu rumo ao Reino das Bestas. Passaram num vilarejo e pegaram o que precisavam partindo em viagem. Nas terras do Reino das Bestas, dois outros assassinos já percorriam as trilhas: Eliet e Laiamus. Crianças abandonadas que aprenderam a sobreviver de forma brutal, tornaram-se assassinos e caçadores, naquele momento também estavam com a idéia de caçar criaturas mágicas para vender nos mercados. Logo que chegaram já encontraram um javali encantado, o abateram e o carregaram para as bolsas.

Ao amanhecer, enquanto um cochilava e o outro vigiava, ouviram o trotar de cavalos. Dois cavaleiros aproximavam-se, Zafiel e Belchior. Espadas desembanhadas, os quatro se encaram. - Ora, ora - disse Belchior, com um sorriso curto. - Parece que já temos concorrentes. Eliet observou-os com interesse: - Já te vi fazendo serviços para reinos. Parece que também é um assassino, não é? Por que está com uma elfa do Reino Mágico? Zafiel ergueu o queixo. - Não pertenço mais àquele reino. Estou com ele por escolha. Eliet sorriu, de modo frio: - Ainda pode valer algo, sua cabeça. Belchior interveio: - Viemos só pegar o necessário para vender e seguir. Tem o suficiente pra todos, não precisamos brigar. - Não vale a pena - aconselhou Laiamus. - Vamos pegar o que precisamos e sair daqui antes que as bestas de Haygor apareçam.

Eles trocaram olhares e relaxaram, até que o ar vibrou com um som terrível. Uma lâmina colossal cortou o céu e, num único golpe, atravessou o cavalo de Zafiel, que tombou em dois. Zafiel rolou fora do impacto por reflexo; Belchior saltou, escapando por pouco. A frente de todos surgiu Ronwthor, o assassino enviado por Eroim. sua chegada foi um anúncio intencional: surpresa e intimidação. ele lambia os lábios ao ver o estrago causado. - parece que apareci no momento certo - disse Ronwthor. Belchior e Zafiel se ergueram rapidamente, empunhando novamente as espadas. Ronwthor falou com frieza: - Eliet, Laiamus - Vão até o reino mágico. Eroim tem uma missão para vocês que pagará muito ouro. eles se entreolharam, desconfiados. - como assim? - perguntaram. - sim - confirmou Ronwthor. - vai ser algo especial: seu trabalho acabará com a trilha das fadas de vez. enquanto faço cobranças a Haygor para Eroim, preciso que vocês completem essa parte. Zafiel explodiu: - o que Eroim quer com Haygor? - exigiu. Ronwthor sorriu, mas sua voz tornou-se mortal: - primeiro, peço sua cabeça, minha pequena anja. se Belchior se intrometer, a dele também. depois eu convencerei Haygor a atacar o reino das fadas para pagar uma antiga dívida. um silêncio pesado caiu sobre o acampamento. a revelação do plano era pior do que podiam temer. Ronwthor, vendo o choque, deu uma última risada: - agora que sabem demais, alguns de vocês não voltarão vivos. e, com isso, Eliet e Laiamus montaram e partiram, não por medo de rejeitar a proposta, mas porque já tinham ordens. Ronwthor permaneceu, olhando Belchior e Zafiel, como quem guardasse uma promessa sombria: o conflito estava apenas começando.