Temporada 1 · Capítulo 27

A QUEDA DO REINO DOCE

À frente dos portões do Reino Doce, a luta entre o Ceifeiro e a Rainha Doce ainda seguia. Do meio da lama de chocolate, o Ceifeiro se levantou lentamente, fitando a rainha com um olhar vazio e cruel. Ela já preparava um novo golpe com seu raio mágico quando, por um instante, o pavor tomou conta de seu rosto. O Ceifeiro começava a sair do próprio corpo. Não em carne, mas em essência. Sua alma se desprendia, pairando à frente dela, e aquilo não era nada bom. Logo entende. O golpe não atingira seu corpo, mas sua alma. A partir daquele momento, todos os ataques do Ceifeiro não seriam físicos, seriam letais para sua essência. O braço ferido tornava-se inútil, pesado, morto. Sobrevoando a floresta, o Ceifeiro grita, sua voz rasgando o ar: - Eu vou te achar! Agora você já sabe o que está acontecendo! Vou ceifar sua alma, rainha! Hahahah! - E depois a do restante do seu povo! Apareça! Venha lutar! - esbravejou. A Rainha Doce pensa, com o coração apertado: - Provavelmente nenhum golpe meu vai surtir efeito nele… - Preciso tentar algo… ou este será o meu fim! A dor em seu braço se intensificava. A pele escurecia, como se apodrecesse, espalhando um frio mortal por seu corpo.

Já nos portões do Reino Doce, Hayblood, ainda afundada na lama de chocolate, se levanta. Suas asas afiadas se abrem e, em um impulso violento, ela sobe aos céus com velocidade absurda, deixando a Sra. Algodão chocada. - Garotinha! Vou te esquartejar inteira e dar de comida aos zumbis! - grita ela, soltando uma gargalhada arrepiante. Ela avança contra a Sra. Algodão, que pula da torre ao lado do portão, caindo sobre o chão amortecido por algodão-doce mágico. Corre desesperadamente entre as casas enquanto Hayblood a sobrevoa, tentando alcançá-la com suas garras. Ofegante, a Sra. Algodão entra em uma casa de biscoito e permanece em silêncio absoluto. Hayblood ronda, farejando o ar. De repente, guerreiros de biscoito surgem sobre os telhados e lançam flechas de açúcar afiado contra ela. Hayblood se desvia de todas e os destrói rapidamente, rasgando-os com suas garras.

A Sra. Algodão observa pela janela do andar superior, imóvel. Mas o olfato apurado de Hayblood a denuncia. Em um ataque brutal, ela atravessa as paredes da casa e agarra a Sra. Algodão pelo pescoço. - Te peguei, garotinha! Agora vou te espremer com minhas mãos! O ar lhe faltava. À beira do desmaio, a Sra. Algodão solta seu urso, que cai no chão e cresce de forma violenta, destruindo a casa e lançando ambas para longe.

O urso possuía uma habilidade mágica: criar vida e crescer ao ser solto da mão de sua dona. Ele se coloca à frente dela, pega-a do chão e a protege. Em seguida, avança contra Hayblood, que ainda tentava se levantar. O urso desfere uma sequência de socos devastadores, rachando o chão, espalhando sangue por todos os lados. Por um instante, Hayblood cai desacordada. A Sra. Algodão se levanta atrás do urso, aliviada.

Mas o alívio dura pouco. Hayblood começa a se regenerar. Seus ferimentos se fecham. Ela desperta. - Acaba com ela rápidooo!! - grita a Sra. Algodão. O urso investe novamente, mas Hayblood se desvia com facilidade. Em movimentos rápidos e brutais, arranca seus braços e, em seguida, seu pescoço, dilacerando-o por completo.A Sra. Algodão fica paralisada. A agilidade, a regeneração… aquilo não era humano. - Você é um monstro! Eu vou te matar, nem que seja a última coisa que eu faça! Hayblood gargalha. - Me mostre tudo o que você tem, florzinha! - e voa em sua direção.

Na floresta fora do Reino Doce, a Rainha Doce sai de seu esconderijo e encara o Ceifeiro de frente. - Vou te mostrar por que eu sou a rainha daqui! - Ora… finalmente apareceu! - responde ele. Ela entoa palavras mágicas e o prende em uma bolha mágica rosa, que começa a sugar sua força vital. - Você é esperta… sinto isso roubando toda a minha força - diz ele, antes de lançar sua foice contra ela. A lâmina corta o peito da rainha e retorna à sua mão. Ela congela. A dor não era física. Era profunda, espiritual. Sua alma fora ferida. Aos poucos, começa a apagar. Com esforço, desce ao chão e é cercada por mortos-vivos, que destrói com raios mágicos. Dentro da bolha, o Ceifeiro sorri. Ela estava no limite.

Ele lança a foice novamente, mas dessa vez ela desvia. - Quase… estou no meu limite! Não posso morrer aqui!! - pensa ela. Em um grito carregado de ódio e desespero, ela destrói os zumbis ao redor. Depois, encara o Ceifeiro preso na esfera, ergue a mão e reúne tudo o que lhe restava. O raio mágico atravessa o Ceifeiro sem causar qualquer ferimento. Em silêncio absoluto, a foice dele corta o pescoço da Rainha Doce. Ela sequer percebe. A visão escurece. A esfera mágica se desfaz. Ela cai ao chão, encarando o céu enquanto uma chuva serena começa a cair. O chão de chocolate seca. Os zumbis voltam a correr, arrebentam os portões e invadem o Reino Doce, matando todos. O Ceifeiro se aproxima do corpo caído. - Acabou. Ele sorri, vira as costas enquanto seus zumbis a devoram, retorna ao próprio corpo, monta em seu cavalo e lidera seu exército para dentro do reino.

Dentro das dependências, Hayblood e a Sra. Algodão ainda lutavam. A Sra. Algodão avança, mas é agarrada pelo pescoço sem qualquer esforço. - Você não tem força… nem magia, garota. - Acabou! Vocês perderam! A chuva se intensifica. O Reino Doce é invadido por mortos-vivos. No céu, uma estrela se forma. A Sra. Algodão entende. Sua rainha havia caído. As lágrimas escorrem enquanto é sufocada. Ela encara Hayblood com ódio. - Vá para o inferno! De repente, o corpo da Sra. Algodão se transforma em chiclete.

Clones surgem e se grudam em Hayblood, prendendo-a em uma enorme bola. - Sua desgraçada!! - grita Hayblood. A verdadeira Sra. Algodão corre em direção à saída secreta, mas encontra mortos-vivos pelo caminho. Cria uma espada de açúcar e luta, mas são muitos. Exausta, recua para dentro do castelo e o tranca. Presa, Hayblood se comunica telepaticamente com o Ceifeiro, que ordena aos mortos-vivos que devorem o chiclete para libertá-la. O Ceifeiro chega aos portões montado em seu cavalo. Hayblood, livre, voa até ele.

Dentro do castelo, a Sra. Algodão chora e grita: - Vocês não terão este castelo! Não terão nada! - Nós resistimos! Jamais se sentarão em nosso trono! - Se vocês forem ter algo, vai ser só o pó desse lugar!!

Ela ergue as mãos. Um tremor percorre o Reino Doce. Casas, muros e o castelo desmoronam. O castelo cai sobre ela, destruindo tudo o que restava. O Ceifeiro observa. - Está feito. - Aqui não será mais um problema. Em breve marcharemos para nosso outro alvo. O mal venceu nesse dia havia vencido o reino doce. Sob os escombros, na chuva intensa, a Sra. Algodão dá seus últimos suspiros, pensando em tudo o que não viveu: visitar outros reinos, fazer amigos e talvez ter um amor. Nem todas as histórias terminam como deveriam. A do Reino Doce acabou de forma trágica, mas com resistência. E será lembrada para sempre.

O Ceifeiro e seu exército permaneceriam ali até serem alertados pela Maga Boreal de que ela abriria o portal. Então, marchariam imediatamente para dentro do Reino de Gelo, seu próximo alvo. O Reino dos Mortos nunca havia sido tão subestimado; agora, tornava-se quase um dos reinos mais poderosos de Arcânia. O Reino de Gelo jamais esperaria algo assim, tão depressa, batendo em seus portões.

A Magia Doce nunca mais retornará. Antes do ataque ao Reino Doce, existiam muitos planos de expandir o reino e sua magia por toda Arcânia. A paz e a doçura sempre foram leis dentro dos portões de chocolate. Agora, o tempo levará toda lembrança do que aquele lugar já havia sido um dia. O reino mais amado por todas as crianças das redondezas, onde a felicidade vivia junto da esperança. A Rainha Doce e a Sra. Algodão para sempre serão lembradas por sua bravura.