Temporada 1 · Capítulo 22

O FRIO DAS MENTIRAS

No Reino das Fadas, a noite foi silenciosa demais, algo que não traz boas sensações a um povo que vive à beira de uma guerra. O escudo mágico da Rainha permanecia firme, envolvendo e iluminando todo o reino como uma auréola protetora. Com o nascer do sol, Bloom, a fada venenosa, já se movimentava com outras fadas para preparar o café da manhã do povo. Bloom sempre colhia as plantas necessárias antes que o primeiro raio de sol tocasse as árvores sagradas. Ela tomava seu café quando Vermax se aproximou para comer com ela. - Caprichou hoje no café, Bloom. Está ótimo! - elogiou ele. Bloom sorriu sem jeito e respondeu: - A Kirlyem sempre me ajudava… ainda não consigo acreditar que não terei mais minha amiga - disse cabisbaixa, incapaz de assimilar a perda. Vermax pousou a mão sobre o ombro dela e respondeu: - Tudo aconteceu porque tinha que acontecer. As meninas estão lá em cima nos ajudando agora a enfrentar essa batalha. - Vamos ser fortes - disse ele a abraçando.

Do outro lado do reino, cuidando dos animais, estavam Alinda, a fada do fogo, e Acer, a fada das plantas. Elas alimentavam os animais e garantiam que todos estivessem seguros. Viseryon observava de longe, atento e sempre pronto. Acer fazia brotar grama fresca para que os animais comessem, enquanto Alinda assava os peixes que Viseryon havia caçado naquela manhã. - Os tempos estão difíceis… - disse Alinda, triste. - Quero ser forte, mas é difícil depois de perder amigas. Acer respondeu com firmeza: - Vamos ter fé! A guerra está à nossa porta, mas quando ela abrir será para vencermos tudo isso! - Nosso povo viveu muitos anos em paz. Se a guerra chegou agora… é porque podemos superá-la. Viseryon se aproximou brincando que estava ali para protegê-las. Acer respondeu, emburrada: - Não precisamos de um homem para nos proteger! Alinda completou: - Vou fritar esse seu dragão se vier com brincadeiras pra cá! - retrucou. Viseryon sorriu e se sentou com elas, compartilhando aquele breve momento de calma em meio ao silêncio pesado que dominava o reino. Mesmo mantendo a rotina, todos viviam sob alerta absoluto, aguardando um ataque a qualquer instante.

Próximo ao Reino de Gelo, a Fada Madrinha, chegava aos portões entre as montanhas geladas. Ela aguardava que alguém abrisse os portões para anunciá-la. Dentro do castelo, a fada polar responsável pela entrada recebeu o aviso e se dirigiu ao salão para informar os soberanos, Veylar e Morgot. Mas antes que chegasse até eles, foi interceptada pela Maga Boreal. - Onde pensa que vai? - perguntou Boreal com um sorriso frio. - Ao ouvir que havia uma visitante do Reino das Fadas nos portões, Boreal fingiu preocupação. - Venha comigo, eu aviso aos reis. - A conduziu para outro cômodo Assim que entraram, Boreal a imobilizou com um gesto rápido. - Esqueça o que ia fazer - murmurou ela, e com um feitiço fez a fada polar perder a memória daquele instante, caindo desacordada. A Maga Boreal então se teleportou direto para a frente dos portões do reino. - Olá… que honra ver você, minha irmã! - disse ela com um sorriso calculado. A Fada Madrinha se curvou educadamente. - Bom dia! Obrigada por aparecer. Por favor… preciso falar com os reis. É urgente! - E o que seria tão urgente assim? - perguntou Boreal, ocultando seu tom de ameaça. - Venho em nome da Fada Rainha pedir ajuda para o Reino das Fadas. Precisamos de alianças… a guerra se aproxima. - O Reino Mágico está destruindo a Trilha. Se eles vencerem, Arcânia inteira cairá, inclusive o Reino de Gelo. Precisamos lutar juntos! A Maga Boreal arqueou a sobrancelha e a interrompeu: - Ajuda? - Querem nos meter nisso? Nossos reis não vão ajudar. Lutem suas próprias guerras! - disse ela com desprezo. A Fada Madrinha ainda tentou implorar - Por favor! Se nos unirmos, podemos vencer Eroim. Ele vai vir atrás de vocês também! Boreal sorriu de forma gelada. - Eu vou te ajudar. Antes que a Fada Madrinha pudesse perceber o perigo, Boreal conjurou um feitiço de gelo que a envolveu completamente, congelando-a da cabeça aos pés. - Está aí a sua ajuda… (Sussurrou). Com um estalo de dedos, Boreal fez o gelo se partir. A Fada Madrinha caiu, sem vida, despedaçada como cristal contra o chão. O vento gelado levou o silêncio dali. O mal estava se espalhando por toda Arcânia. Em quem as fadas devem confiar agora?